Baleia encalhada, minha página em branco

Eu tenho uma lista de coisas para fazer. Na verdade eu tenho um caderninho onde anoto as coisas que preciso fazer, e depois marco um x ao lado do que cumpri (e justifico constrangida aquilo que não deu).

O caderninho se chama TA-DA. Eu sei, genial.

Uns dias atrás eu percebi que estava ficando um pouco relaxada com a lista de coisas para fazer (ie, colocando poucas tarefas para não correr o risco de sobrar um monte de itens não cumpridos) e escrevi uma observação no caderninho:

– Preciso voltar a ter controle sobre o caderninho.

Mas em seguida eu percebi que o que eu deveria ter escrito era:

– Preciso que o caderninho volte a ter controle sobre mim.

Existe uma diferença enorme e doentia entre essas duas frases, mas é como eu me sinto (ou: como eu me sinto quando a lista funciona). O caderninho não funciona para me lembrar de nada – eu sei exatamente o que deveria fazer, mesmo que esteja sentada no sofá assistindo GNT e abastecendo a comida do Neko Atsume na hora em que eu deveria lavar a louça. O caderninho funciona para me mandar fazer as coisas.

Às vezes as coisas funcionam de um jeito meio torto, como aquela noite em que eu lavei a louça e tirei o lixo porque o item restante da lista era “preparar a apresentação para a defesa do doutorado”. Mas o importante é que depois de ter lavado a louça e tirado o lixo, eu preparei a apresentação para a defesa do doutorado. E, de bônus, quando eu terminei de preparar a apresentação eu já estava com a pia da cozinha em ordem e o lixo fora da minha casa.

Só vantagem.

O problema é que já faz uns cinco dias que o item não cumprido da minha lista se chama:

• Escrever um post.

Segundo a psicóloga, uma causa para quando você não faz aquilo que deveria fazer é medo de que não fique bom. Mania de que tudo fique perfeito. Porque você é boa. E perfeita. Ou quase. Ou provavelmente não. Definitivamente não é, especialmente se o post ficar uma droga.

Então está aqui o post. E é para publicar mesmo que ele não tenha ficado bom.

× Escrever um post.

Era uma vez um blog

Era uma vez um blog. E outro. E outro. E mais um. Alguns simultâneos. Outros secretos.

(Um deles era secreto até que eu mostrei para a minha melhor amiga, aí eu briguei com a melhor amiga e tive que derrubar o site.)

Era uma vez um blog, da época em que pessoas ainda faziam blogs (hoje elas fazem newsletters, amanhã elas farão hologramas pedindo socorro). E um blog de quando as pessoas já tinham desencanado de fazer blog.

(E antes de tudo isso, era uma vez um site, porque blogs ainda nem existiam.)

Está promissor.