28

fev

Sabe aquele show com aquela boyband que cantava aquela música?

Na fila, a garota à minha frente está sozinha. Diz que não conseguiu convencer ninguém. Atrás de mim, outra garota sozinha – depois de ter pagado por ingresso, voo de Curitiba, hotel em São Paulo e, claro, o táxi até o Credicard Hall. Naquele momento, na fila, eu também estava sozinha. Em dezembro do ano passado, o plano foi “compre o ingresso agora, resolva a logística* depois”. Afinal, quem mais estaria disposta a ver um show dos Backstreet Boys 12 anos depois de “I want it that way”?

Muita gente, na verdade. Não que vá lotar o Morumbi, mas lotou o Credicard Hall com gente como as garotas sozinhas, o fã-clube histérico/enfezado e o grupo de amigos gravando vídeos tirando sarro do fã-clube histérico/enfezado. Gente como a menina baixinha, acompanhada da mãe e da irmã, que não deixou um moço mais alto passar na frente dela para se juntar à namorada. Gente como a namorada do moço mais alto, que viu o namorado ficar preso alguns passos atrás e se recusou a abandonar sua posição para ficar junto com ele. Gente com faixa no cabelo, gente com camiseta da turnê, gente com cartaz implorando por fotos, gente com decote J.Lo para tamanho Beth Ditto. Seriously. Não, você não quer ver isso.

Aliás, o negócio estava bastante parecido com o show de 2001, sabe? Sim, aquele ano em que pessoas acamparam durante semanas na fila. Pois é, a histeria agora faz menos vítimas, mas ainda tem a mesma intensidade.

Mas, afinal,  eu estou dez anos mais velha. Não que eu goste de admitir que dez anos mudem muita coisa.

Em 2001, os Backstreet Boys tinham um integrante a mais e idades mais adequadas – mas a coreografia de “As long as you love me” continua bem parecida. E, sinceramente, eu saí feliz dos dois shows. Em 2001 eu estava no meu primeiro ano de faculdade e em 2011 minha carteirinha de estudante (de pós-graduação) da ECA está expirando, mas os mesmos amigos ecanos tiveram a mesma reação de “você é louca” quando souberam que eu ia ao show.

Mas, tudo bem, alguma coisa mudou.

Uma coisa que mudou foi o que eu estou disposta a aceitar por um show dos Backstreet Boys: menos horas de fila, melhores condições de banheiro e completa adesão à estratégia acertadíssima da @sheilokavieira de sair daquele empurra-empurra desagradável com (argh) pessoas encostando em mim para ver um show muito melhor com pouquíssima variação de campo de visão e todo aquele espaço pessoal feliz.

Quer saber qual é a prova máxima de devoção aos Backstreet Boys? Não, querida, não é gritar loucamente quando o cara da produção está arrumando o equipamento no palco enquanto as luzes ainda estão acesas: é suportar os seus gritos por cima do som do show.

Depois que eu reconquistei meu espaço pessoal, aliás, eu finalmente entrei no clima de Backstreet Boys. A migração foi justamente no momento daquele (ahem) novo clássico, “Show me the meaning of being lonely”, quando eu descobri a diversão que é poder declamar uma letra pop como se fosse alta literatura. Também descobri que as músicas mais novas dos Backstreet Boys são geniais por um motivo muito simples: a maior parte dos infiéis presentes não sabia cantar junto.

Pra falar a verdade, acho que eu posso ter gostado mais de 2011 do que de 2001. O segredo é se importar menos com os Backstreet Boys, e mais com o show.

 

*A logística: encontrar a @sheilokavieira na Barra Funda, CPTM até Santo Amaro, táxi até o Credicard Hall; depois, abusar dos poderes de irmã mais nova e ganhar carona, asilo e comida da Leda.

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