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jul

Welcome to Wonderfalls. Did you find what you were looking for?

Era 2005. Eu estava terminando a ECA, com um ano de atraso. Bom, eu pensava que estava terminando a ECA – e acabei voltando uns anos depois. But I digress.

Era 2005, eu estava tentando terminar o TCC depois de um bom tanto de enrolação. Já era o terceiro suposto “último semestre” – e, como dizem, the third time’s the charm. Sem estágio, sem emprego acertado, fazendo uma ou outra dinâmica de grupo em processos que não iam dar em nada e, mais importante, sem saber o que fazer da vida.

Foi nessa época que eu resolvi rever Wonderfalls. A série de TV tinha passado no ano anterior e eu tinha assistido sem muita disciplina. Eram apenas 13 episódios – dava muito bem para encontrar todos eles e assistir, desta vez na ordem. E desde então, uma série de TV assistida sozinha no monitor do computador virou o meu grande Momento Definidor.

Eu era um pouco mais nova que a Jaye Tyler – 21-virando-22, enquanto ela tinha 24 – e não trabalhava no varejo. Eu não morava em uma cidade turística como Niagara Falls (eu moro na cidade da uva niágara), em um trailer park. Eu não bebia no bar onde minha melhor amiga trabalhava (até porque nenhuma amiga minha trabalhava em bar) para conhecer o bartender com puppy eyes. Mas eu era a Jaye.

Não no sentido de que meu irmão fazia doutorado (verdade), minha irmã não morava mais na casa da família (verdade) e meus pais eram protetores (verdade). Mas eu era a garota com o diploma (quase) de Humanidades de uma faculdade prestigiada sem nenhuma expectativa ou motivação ou desejo de fazer alguma coisa com ele. Eu era a garota que não fazia questão de colaborar (salvo se houvesse algum tipo de chantagem), que estava julgando quem estivesse por perto, que não estava nem um pouco ansiosa pela reunião da turma de colégio e que simplesmente queria ser o mais invisível possível. Quer saber? Ainda sou.

Mas, aí, tá, você encontrou uma personagem fictícia e se identificou. Isso acontece com todo mundo, ok? Não se sinta especial.

Só que foi especial. Ainda é especial. Porque uma coisa é você achar que consegue se identificar com a profissional iniciante e dedicada que vai encontrar seu break em algum momento dos próximos 90 minutos de filme. A repórter meio atrapalhada, mas bem-intencionada. E se você gostar de metáforas, pode até se identificar com o rei de um épico fantástico.

Mas Wonderfalls disse “be a little lost”. Não com essas palavras, mas disse. Já se foram mais de cinco anos desde então, e ninguém mais soube me dizer isso. Quer saber? It’s still fucking special.

O universo não chega na forma de um leão de cera tortinho e falante, mas chega. E nem sempre ele vai tirar você da lojinha de souvenirs. E talvez você não queira outra coisa, não agora. Point is, you don’t belong here. And, at least for the time being, I do.

Welcome to Wonderfalls. Did you find what you were looking for?

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