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ago

Voluntariamente insone

Fui dormir com Naldecon Noite, acordei com Naldecon Dia. E tenho uma cartelinha cheia na bolsa (coisa de gente velha), para passar a segunda-feira. Só neste ano, é a terceira ou quarta vez com alguma coisa entre a gripe e o resfriado (confesso que ainda não sei definir qual é qual). Esta última vinha ameaçando desde a quarta-feira e explodiu em espirros no final de semana. Claro.

Muito para qualquer pessoa normal, demais para uma pessoa que já foi conhecida informalmente como “vaso ruim”. A impressão é que nesses 15 meses de trabalho eu virei uma criança chegando na creche, ganhando uma virose por semana. Só que não deve ser uma questão de contato com novos vírus – eu já passei 27 anos convivendo com eles. Também não deve ser problema de alimentação – eu trago comida de casa, e sempre tem salada e fruta. E dificilmente seria estresse – eu continuo perfeitamente capaz de trancar o trabalho dentro da sala quando vou para casa.

Sinceramente? Eu culpo o trabalho. A simples ideia de ter um trabalho. Só que eu também culpo o trabalho pelo aquecimento global, pela crise econômica e pela má fase do Mikhail Youzhny. Ok, nem tanto. Ok, mais ou menos.

Ok, eu juro que não sou completamente irracional.

E, por isso, preciso admitir que o mais provável é o sono. Não que eu passe o dia com sono (eu sinto muito mais fome, se alguém quer saber). Assim, se você não considerar aquela meia hora depois do almoço.

Mas meu cronograma de sono é o seguinte: lá pela meia-noite eu começo a desligar minhas coisas e a tirar a tralha da cama e a passar o fio dental e a levar a Mia para a minha cama (menos ontem, porque eu não quero passar virose malvada pra minha gatinha). Aí meu despertador toca às 5:05 e eu acordo para tomar café, colocar minha roupa de trabalho (objetivo: ser confundida com aluna) e alimentar a Penélope. Por volta de 6:05 eu volto a dormir no fretado, até o celular vibrar às 7:05 para eu não passar batida pelo ponto. Na volta para casa, eu consigo dormir mais um pouco – mais ou menos das 17:50 às 18:20.

Somando tudo dá umas quatro horas e meia durante a noite, uma hora na ida e meia hora na volta. Se você ia falar que seis horas é muito pouco, imagina seis horas parceladas. E é por isso que eu levo broncas gratuitas de pessoas que descobrem que eu estou acordada meia-noite.

Mas, quer saber? Não, eu não quero dormir mais cedo. Não é uma questão de “quando é que eu vou ler/ver TV/jogar Wii?” – é uma questão de não aceitar que uma pessoa com mais de 15 e menos de 30 anos deva dormir às 22:00. Eu fico meio surpresa quando descubro amigos que dormem cedo assim (22:00 é cedo, gente!). Tem dias em que eu estou jantando às 22:00. E, para somar oito horas até as 5:00, eu teria que dormir às 21:00! Quem dorme às 21:00?

Ok, muita gente dorme às 21:00. Mas eu chego em casa às 19:00. Eu não vou dormir às 21:00. Não vou dormir às 22:00. Não vou dormir nem às 23:00. Eu vou é pegar outra virose e bitch about it por uma mais uma semana, durante as 18 horas diárias que eu passo acordada.

A culpa é do trabalho.

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