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fev

(Eu já falei pra vocês sobre as) “Minhas férias”?

Estou pra escrever este post faz uns 10 dias, mas passei esta última semana comendo, dormindo e desatrasando TV – tudo o que eu não estava fazendo na Austrália. Além disso, este será um post meio longo. É, estou avisando. Mas vai ter fotos.

Enrolando um pouco o começo…

A história começou em julho do ano passado, quando meu nome apareceu na lista de aprovados para doutorado na Faculdade de Educação da USP. Que é uma coisa que eu ainda não tinha mencionado aqui porque eu sempre acho que vai dar tudo errado antes da matrícula (dias 5 e 6 de março) – fica para quando o semestre começar.

Não parece ter muito a ver, mas nessa hora eu percebi que teria que marcar minhas férias antes do meu plano original (abril), já que as aulas começam agora em março. Aí eu fiz uma pesquisa básica da média das temperaturas máximas e mínimas em várias cidades e percebi que a Escandinávia é muito gelada em janeiro e em fevereiro. Muito. E eu gosto daquele invernozinho de São Paulo, mas férias são uma coisa muito cara para você passar tomando coragem de sair do hotel e enfrentar o frio, sabe.

Eu estava na casa da Leda depois de algum show (acho que o da Avril Lavigne) quando a Austrália entrou nos meus planos. Quente, muito quente. E com um certo Grand Slam na segunda metade de janeiro.

É preciso ter um tanto de empolgação para dar tirar férias na Austrália, porque no meio do planejamento você vai lembrando que 1) a Austrália é realmente longe, 2) a Austrália é mais cara do que você pensava, 3) a Austrália exige visto mesmo que suas férias sejam ridiculamente curtas.

Mas a essa altura eu já tinha começado a fazer as reservas – processo que durou uns vários meses e causou incontáveis episódios de dúvidas. Peço desculpas a todos que acompanharam.

O voo? Vai um dia inteiro.

Meu primeiro dia de férias (ever!) foi uma quinta-feira: 19 de janeiro. Na segunda-feira, 23, já era o dia do embarque. Meus voos foram via Joanesburgo. Umas 10 horas até lá, mas umas 12 até Sydney (mais a conexão – foram nada menos que 10 horas na ida!). Tempo suficiente para desenvolver um caso com comidas servidas em bandejinhas. Meu irmão me chamou de ogra e falou que comida de avião é horrível, mas o serviço da Qantas tinha até Jacob’s Creek, e eu devorei todos os pãezinhos e todos os pratos quentes que chegaram na minha frente.

No voo Joanesburgo–Sydney, decidi não dormir mais depois que começasse a manhã no horário australiano, então a comida era a grande distração. Sintoma: eu quase roubei o bolinho da bandeja do passageiro do meu lado. Mas considera que eu não consegui comprar um sorvete no aeroporto de Joanesburgo porque a maquininha do quiosque recusou meu cartão de crédito.

Falando em horário australiano: Sydney está 13 horas adiantada em relação a São Paulo. Eu saí daqui no fim da tarde da segunda-feira e desembarquei lá no começo da tarde da quarta-feira.

Aliás, vamos falar dos aeroportos…

As coisas até que deram certo em Guarulhos (fora o atraso da empresa). Não peguei fila para despachar minha mala de 13 kg (sim, fui com uma mala só – afinal, só tinha eu para carregar) e meu maior transtorno foi ter que tirar os sapatos para passar no detector de metais.

O que não é grande incômodo, desde que você não tenha que fazer isso três vezes na mesma tarde. Isso aconteceu em Joanesburgo, porque eu precisava passar pelo detector para chegar ao balcão de transferências, e o balcão da Qantas só abriu depois das duas da tarde (horário local). Enquanto isso, entrei em praticamente todas as lojas (e são muitas) daquele setor do aeroporto e dormi sem muito constrangimento nos bancos.

Momento preferido nas lojinhas de Joanesburgo: prateleira de “Fantasy & Sci-Fi” da livraria do aeroporto junta Stephen Hawking, “Ender’s Game” e horóscopo:

Richard Dawkins, Stephen Hawking, Steven C. Schlozman, Orson Scott Card e sei lá quem escreve esses horóscopos

Aí cheguei em Sydney e… bom, você acha que está tudo tranquilo, já que já deu todas as informações da sua vida para conseguir o visto de turista. Só que aí resolvem revistar a sua mala inteirinha. O funcionário do aeroporto tirou peça por peça da mala de 13 kg e da mala de mão, observou cuidadosamente qualquer artigo de toiletry e eletrônicos, e ainda implicou com meu desodorante (que é um pó branco). Enquanto isso, um cão farejador deu voltinhas ao meu redor. Depois, com a mala vazia, passou o swab para drogas. A mala vazia também foi para o raio-X. Item menos revistado da mala: pacote de absorventes. Se você quiser esconder alguma coisa…

O aeroporto de Adelaide preferiu revistar minha mala de mão: swab para explosivos. Enquanto o funcionário passava o swab no meu celular e nas minhas roupas, duas senhoras perguntam se também precisavam passar pela revista. Quase respondi “No, ma’am, only younger foreign-looking people who are traveling by themselves”, mas é melhor não fazer piada com funcionários de aeroportos.

Mas voltando praquela quarta-feira, 25 de janeiro…

Depois que eu desembarquei na Sydney nublada e tive minha mala revirada por conta da minha cara de traficante, comprei um chip Vodafone com alguma dificuldade (o mocinho do quiosque ficou séculos tendo problemas para configurar porque a internet não funcionava no Motorola, mas depois eu descobri o truque: se o telefone estava no modo Avião, era preciso voltar pro modo normal, desligar e ligar de novo – não adiantava só tirar do modo Avião sem dar um reboot) e peguei um trem até a estação Central. Porque eu precisava chegar em Melbourne, não em Sydney.

Eu podia arrumar um hotel em Sydney e um voo para Melbourne. Ou podia voar para Melbourne e já dormir lá na quarta-feira. Mas acabei pegando um trem de 12 horas, viajando no sleeper. Custa mais ou menos a mesma coisa que hotel+passagem, mas eu chegaria cedinho em Melbourne.

Além disso, era uma aposta: segurar o sono (lembra que falei que parei de dormir no voo da Qantas?) e tirar o atraso no trem noturno Sydney–Melbourne. Você divide a cabine com outro passageiro (era uma senhora nascida na Eslováquia ou na Estônia – eu estava com muito sono, não me julguem – que havia imigrado para a Nova Zelândia ainda criança e que agora morava em uma fazenda no sul de Victoria), e divide o banheiro com a cabine ao lado. É tudo estilo Lar&Escritório da Barbie, mas funciona. Eu esqueci de fazer fotos e vídeos (repito: estava com muito sono), mas dá pra encontrar algumas coisas no YouTube.

Eu estava tão acabada que precisei esperar em pé pelo trem (meus olhos fechavam se eu sentasse), mas funcionou: dormi direto das 21:00 (depois de devorar os biscoitos incluídos no preço da passagem que servem quando você embarca) às 6:15. Dizem que o trem balança e que faz barulho, e a cama provavelmente não era muito confortável, mas eu tive uma perfeita noite de sono. Só acordei porque o staff do trem bateu na porta para dar as opções de café da manhã. Recebi duas bandejinhas (deviam fazer um estudo pavloviano comigo e bandejinhas de comida): uma com chocolate quente e torrada quentinha de passas, com manteiga, e outra com suco de laraja, cereal e leite.

‘llo Melbourne!

Desembarquei em Melbourne numa quinta-feira linda de sol e fui de trem até o hotel – que, felizmente, estava com meu quarto pronto e fez meu check-in +/- 9:00. Fiquei hospedada num hotel da rede Mantra na Jolimont Rd por um motivo muito simples: endereço. Eu saía do hotel, andava duas quadras até a passarela de pedestres e estava na entrada do Melbourne Park. Levava uns 5 ou 6 minutos, e dava para fazer tranquilamente depois da meia-noite.

Subi até meu quarto no sétimo andar e, enquanto abria o envelope de ingressos (que estava na recepção do hotel), olhei pela janela:

Da janela do hotel de Melbourne...

Seriously. Seriously. Seriously.

Aliás, só deu tempo de largar as coisas espalhadas pelo quarto, tomar banho (não tive coragem de usar o chuveiro do XPT), começar a overdose de filtro solar e sair correndo para pegar minha primeira sessão de Rod Laver Arena. Que começava com uma semi de duplas (Bryans x Lindstedt/Tecau) e seguia com as duas semis femininas. Eu estava bem no sol, reaplicando filtro solar e tirando a primeira foto “Look, ma, I’m at Rod Laver Arena!” (que daria início à tradição “Could you please take my picture” que você abraça quando viaja sozinha).

"Look, ma, I'm at Rod Laver Arena!"

A movimentação dentro da quadra também chama a atenção. Os ballkids na RLA são muito bons – e não só o garoto que fez um catch de primeira e com uma mão só em uma bola passada pelo Federer. Também vi a rotação dos juízes de linha, e a entrada dos seguranças.

Depois que os Bryans viraram o tiebreak, vi o único jogo de feminino com torcida de verdade. Os australianos realmente gostam da Kim Clijsters, e choviam “come on Kimmie” cada vez que algum maluco torcia pra Azarenka. Sharapova x Kvitova foi mais frio, mesmo com duas campeãs de Wimbledon em quadra. Deu uma pontinha de emoção com o latido da Petra, e devo falar que os gritos da Vika e da Masha não merecem tanta reclamação.

Transformei a RLA em lar e fiquei umas 13 horas lá já no primeiro dia, emendando essa sessão com o Fedal da noite – que ficará conhecida como “a sessão das tias descontroladas”. Na fileira da frente, duas nadaletes chinesas já adultas comemoravam os pontos fazendo um high-ten, como se fossem companheiras de um time de vôlei. A mãe delas (e vocês não imaginam a farofa que a família estava fazendo) gritava “Calma, Nadal, calma!”.

Na minha fileira, o lugar ao lado do meu ficou vazio – sim, algo impensável – até a metade do segundo set, quando chega uma tia que cismou que eu estava no lugar dela. O que acontece é o seguinte: os assentos ficavam bem na parte curva da arena, então eles não alinhavam perfeitamente com a fileira da frente. Tentei explicar isso para a tia, mas ela teve a pachorra de pedir para ver o meu ingresso. Yes, you can see my ticket you old cow.

Eventualmente, a tia sentou no assento dela, assistiu uns três games e foi embora. Pra sempre. Lá pela metade do quarto set entrou um garoto que estava assistindo o jogo no telão, com ground pass. Ela deu o ingresso pra ele quando estava indo embora. Considerando tudo, fica claro que essa tia havia perdido o juízo.

(Devo acrescentar que o Nadal e o Djokovic empatam em volume com Sharapova e Azarenka.)

A quinta-feira terminou com um amistoso classudo: Navratilova/Ivanisevic x Hingis/Cash. Por “classudo”, entenda que uma ola insistente fez o juiz de cadeira pedir: “Ladies and gentlemen, please keep doing the Mexican wave throughout the duration of this game”. O público cumpriu o pedido, com apoio do Ivanisevic e participação dos quatro tenistas no meio dos pontos.

We <3 U, Martina!

Comecei o dia seguinte fazendo um passeio de caiaque no Yarra River. Não, não estou mentindo:

Eu também não acreditaria...

Como eu era the odd number no grupo – a única pessoa louca que apareceu desacompanhada –, dividi o caiaque com o guia/instrutor. O que foi ótimo, porque ele remava e eu tirava fotos. Nessa foto aí, quando o guia/instrutor estava com a câmera, o caiaque ficou paradinho.

Aproveitei o resto da manhã com oo Eureka 88 (“como ver Melbourne inteira em menos de uma hora”) e compras no Coles. O hotel tinha minibar e microondas, então eu super achei que poderia me alimentar direitinho com frutas, iogurtes, sucos, barras de cereal e refeições congeladas (na verdade, eu me alimentei direito em Melbourne, mas perdi o controle de horários e refeições na semana seguinte).

À tarde, mais RLA: semifinal de duplas mistas, final de duplas femininas (bem esvaziados, viu) e… Djokovic x Murray. Ao meu lado, em vez de tia louca, sentou um casal escocês simpático que gostou tanto da minha torcida pelo Andy que me comprou com um copo de vinho, digo, me comprou um copo de vinho. Cool Harvest geladinho enquanto Nolandy jogavam cinco sets naquela noite quente de Melbourne? Life was fucking perfect.

Meu plano do sábado era mais modesto: o museu de esportes no MCG, que ficava pertinho do hotel. A parte sobre Olimpíadas é bem legal, mas o museu é muito futebol australiano. Considera que o MCG fica a 5 minutos do lugar onde acontece o Australian Open, mas tênis tem tipo uma vitrine modesta e só.

Sábado também foi o dia mais tranquilo no Melbourne Park. Na MCA, vi a Esther Vergeer ganhar yet another GS. Tênis de cadeirantes não empolga muito, mas a mulher é mito.

Esther faz muito mais do que djokovicar

Falando em coisas que não empolgam, as finais juvenis da RLA estavam tão largadas que você podia sentar onde quisesse. Tinha um garoto australiano levando o título de boys, e a torcida nem aí.

O clima estava tão calmo que eu até encontrei o estande de face-painting grátis sem fila. Esperando, um torcedor espanhol (que gosta até do Almagro, mas trollou o Verdasco) com o rosto e os braços já pintados no estande do outro lado do complexo, queria refazer um detalhe. Mas você já está pronto para amanhã? Não, ele explicou, toda aquela tinta era para assistir o treino do Nadal na Margaret Court Arena (que fica com os portões fechados e a galera assistindo na grade mesmo).

Pedi uma bandeirinha da Bielorússia para a final feminina. “Bel-a-rus?”, perguntou a maquiadora, abrindo a pasta de referência com reproduções (em péssima qualidade) de bandeiras. O resultado foi este aqui:

Scream for us, Vika!

O ombro que aparece ao meu lado nessa foto é de um torcedor doente da Maria Sharapova. Nível “Maria, você me parte o coração quando faz essa dupla falta”. Depois do massacre da Vika, ele e os amigos foram embora e não viram Radek Stepanek mitando na final de duplas, ao lado do Leander Paes (essa dupla era puro bromance).

Não que eu queira reclamar – arena vazia é oportunidade para fazer isto aqui:

Enfim, espaaaaaço!

Aliás, estas são as cadeiras da RLA. De plástico, com o número do assento atrás (viu só, tia?) e um providencial porta-copos. O espaço para as pernas é bem reduzido, e eu sempre levantava e dava uma esticada nos intervalos de virada de quadra. Meu porta-copos era habitado pela garrafinha Evian comprada por A$4,30 no primeiro dia (e reabastecida incontáveis vezes nos quatro dias de torneio nos bebedouros perto da RLA), enquanto minha bolsa ficava no chão mesmo, embaixo do assento.

E se eu achava que meus pés mereciam algum conforto no sábado, não tinha noção do que seria o domingo. Foi nessa manhã que eu resolvi andar por Melbourne, com um roteiro mais ou menos montado para pelo menos dar uma olhada no CBD. Só que centro da cidade é sempre a mesma coisa: prédios empresariais, montes de lojas e cafés. E os arcades australianos, com mais lojas e mais cafés. Aí tive a ideia estúpida de continuar andando até o Albert Park (onde fazem a corrida de F1), só que era algum horário perto do meio-dia, o sol estava incrível e o Albert Park era mais longe do que eu imaginava.

Aí eu cheguei no Albert Park e vi o lago. Era domingo, então tinha gente remando e gente correndo.

Albert Park Lake

O lago é bonito e tal, mas eu queria mesmo era ver a pista usada no circuito (que é formada por ruas onde carros circulam normalmente durante o resto do ano). Andei mais um tanto (estava realmente calor) procurando algum resto de F1 (tinha algumas arquibancadas, mas não sei se eram de alguma outra corrida), até que achei o lugar onde ficam os boxes. Problema: não tinha uma alma viva lá para me ajudar com a câmera, então eu fiquei lá fazendo muitas tentativas (todas frustradas) enquanto os carros passavam na rua/pista.

Ninguém liga pra esse lugar

Saí do Albert Park em direção ao jardim botânico, me perdi um pouco mas eventualmente achei o MCG, o Melbourne Park e meu hotel. Com essa brincadeira, apareceram as primeiras bolhas nos meus pés – elas ficariam cada vez piores até chegar no momento de uma foto feita em Sydney que ainda vai aparecer mais pra baixo neste post.

Domingo era o último dia de Australian Open. As lojinhas oficiais estavam com muita coisa esgotada, mesmo a principal. Sobram peças com defeitos, camisetas extra-small… felizmente, eu já tinha comprado minha camiseta. Também tinha comprado uma pro meu irmão, que fazia aniversário naquele domingo (#fail quando tentei telefonar para ele da RLA – ele só ouviu o juiz de cadeira dizendo “Time”). E aí vem a historinha ridícula: estava eu tentando descobrir qual tamanho de camiseta eu deveria comprar para o meu irmão quando me veio uma ideia. Procurei rapidinho pela loja e… “Excuse me, eu preciso comprar um presente pro meu irmão e você tem mais ou menos o tamanho dele. Você pode ver se é pra ser medium ou large?”. Pois é, micão. Mas comprei o tamanho certo.

Na final de duplas mistas, acho que eu era a única pessoa no meu lado do público, ainda esvaziado, torcendo pra Tecau/Mattek-Sands. É preciso admirar a coragem da Bethanie, com aquelas meias e manga longa em um dos braços. O sol cruel de Melbourne deve deixar marcas de bronzeados assustadoras.

Go Bethanie!

Foi nesse jogo que vi o teto fechar pela primeira vez, por causa de uma garoa que voltaria mais tarde. Enquanto isso, equipe de trabalho do Australian Open surgiu feito elfos domésticos para secar a quadra.

Mas domingo era dia de Nadjoko. À minha direita, o casal escocês se dividiu: ele achava Nole mais engraçado, ela achava Rafa mais bonito. Algumas filas à minha frente, as nadaletes chinesas e sua mãe continuavam me incentivando a torcer pelo Djokovic.

A final, em cinco sets, durou 5 horas e 53 minutos. Some mais alguns minutos de aquecimento, a cerimônia pré-final, a premiação. Eu não saí do meu lugar durante essas seis horas e alguma coisa.

Você só pode entrar e sair da RLA durante as trocas de lado na quadra. Tem várias lanchonetes e vários banheiros na RLA, mas também tem muita fila para tudo. E não dá tempo de fazer nada no intervalo – então dar uma saidinha “rápida” significa perder pelo menos dois games (às vezes mais). O trio de amigos à minha esquerda, supostamente lá para apoiar o Nadal, viu mais jogo na TV do lado de fora do que na quadra.

Passadas as quase seis horas de jogo, passada a cerimônia de premiação, já passava das duas da manhã em Melbourne. Fiquei lá, com as luzes reduzidas e a RLA esvaziada, olhando o Nole dando autógrafos e tentando me convencer de que tinha que ir embora.

Últimos momentos na RLA

Não adiantava, eu tinha uma tour marcada para o dia seguinte, com saída cedo. Precisava voltar para o hotel, fazer a lavanderia diária na pia do banheiro e dormir. E, mesmo que não precisasse dormir, eu não poderia ficar lá pra sempre, certo?

Saí da RLA tentando não ser a menina louca chorando sozinha na garoa. Quase falhei quando parei no meio da passarela e olhei para trás. E depois outra vez, quando olhei pela janela do quarto de hotel. Mesmo no dia seguinte, no ônibus da tour, quase chorei quando passei pelo Melbourne Park.

A tal tour da segunda-feira era uma combinação: Puffing Billy e Penguin Parade.

A primeira parte, pela manhã, é um passeio em um trem antigo que é bem tourist trap mesmo – mas férias não são férias sem alguns tourist traps. No caminho, café da manhã australiano: vegemite e lamingtons. Lamingtons são bolinhos cobertos de chocolate e coco. Já o vegemite é uma pastinha salgada de gosto meio indefinido e que eu não tenho nenhuma intenção de comer novamente. Se um padeiro alto e musculoso de Bruxelas te der um sanduíche de vegemite, FUJA.

A manhã estava mais fria e com garoa, mas o céu abriu no meio do passeio de trem. Ainda bem, porque o trem não tem vidro nas janelas.

It's perfectly safe.

Na estação seguinte, troquei de ônibus de tour e fui levada até uma fazenda em Churchill Island, para almoço e atrações como “alimente filhotes”, “ordenhe uma vaca” e “é assim que se tosa uma ovelha”. No caminho e na fazenda, estava um chove-faz-sol que finalmente justificou a fama de Melbourne de “quatro estações em um dia” (não me impressionou muito – eu trabalho em São Paulo!). A parada seguinte foi o Koala Conservation Centre, onde dá para andar por boardwalks para ver os coalas quietinhos nas árvores. Em seguida, o Nobbies Centre e seu boardwalk no penhasco com ventos incríveis. Do outro lado, tem leões marinhos ou sei lá – mas é bem longe, precisa de binóculos para ver.

Detalhe: tem lojinhas em todas as paradas. Detalhe: a jaqueta impermeável que eu tinha roubado da minha irmã estava com a tag magnetizada, disparando todos os alarmes. Na terceira lojinha, passei todas as minhas coisas pelo sensor até descobrir o item culpado, e aí a vendedora desmagnetizou a jaqueta para mim. Nenhuma vendedora pediu para olhar dentro da minha bolsa, mesmo com o alarme apitando.

Finalmente, a Penguin Parade, onde você assiste os little penguins voltando para casa depois de um longo dia no mar. Não pode tirar fotos ou gravar vídeos, mas é algo incrível. Você está lá nas passarelas do centro de visitantes e pinguins caminham no mato ao seu lado.

Estava garoando e o vento era muito gelado, e a jaqueta impermeável não estava muito quente, mas fiquei lá vendo os little penguins até dar o horário de ir embora. Até queimei a língua no chocolate quente.

Esse foi meu último dia em Melbourne. Voltei para o hotel por volta da meia-noite, e fui dormir depois das duas da manhã – banho, comida e, principalmente, a mala.

Três dias no minibus

Na manhã seguinte, começou uma excursão de três dias que me levaria até Adelaide. Viajamos em um minibus, com as malas atrás.

Não sinto muitas saudades do minibus, TBH.

Cabe mais de vinte pessoas (de vários países) aí dentro. Eu sou meio baixinha, mas achei bem apertado.

É, sem saudades.

O começo da viagem é pela Great Ocean Road, uma estrada na costa meio famosa, com os tais Doze Apóstolos (são 8 e meio, mas eu não vi o oitavo). Muitas paisagens bonitas, com o minibus parando em áreas de escape e a guia gritando “Pic opportunity!”.

Quantos apóstolos continuam em pé?

No meio do caminho, momentos como este:

Botei o capuz em seguida para evitar acidentes.

E passeios como este:

Os australianos realmente gostam de passarelas.

Não tem muita frescura nessa tour – não quero lembrar de como as louças eram lavadas depois do almoço (dica: era difícil saber qual era a bacia da água com sabão e qual era a bacia do enxágue), o suco concentrado foi a pior coisa que eu já bebi na vida e passamos as noites em albergue e alojamento. Pelo lado positivo, foi a primeira vez que eu comi TimTam.

No albergue, dividi o quarto com outras cinco garotas que estavam na mesma tour. Os banheiros ficavam fora do quarto, o que era bom porque sempre tinha chuveiro disponível e o quarto não ficava com cheiro de banheiro. O problema é que, enquanto eu estava terminando o banho (sim, de havaianas – ou “thongs”, para os australianos), uma pessoa começou a usar a cabine ao meu lado. E a divisória não vai até o chão, então as águas (ahem) se misturam. Mesmo com as havaianas, terminei o banho em dois segundos para sair de lá.

No segundo dia, chegamos aos Grampions para uma trilha nas pedras em que milagrosamente eu não escorreguei e/ou torci o pé.

No fim da trilha.

Foi perto do alojamento nos Grampions que eu vi cangurus pela primeira vez.

Cangurus!

Nessa segunda noite, dividi o quarto com outras duas meninas em um chalé. Nove pessoas ficaram nessa casa, que tinha um banheiro só. Tomei banho tipo nove da noite, quando a casa já tinha ido dormir.

O terceiro dia era pra cansar de ficar na estrada. Teve um passeiozinho ainda nos Grampions, mas o roteiro era simples: sair de Victoria e chegar a South Australia.

'llo South Australia!

Chegamos a Adelaide no fim de tarde, ainda com sol. O horário de Adelaide é meia hora atrasado em relação a Melbourne e Sydney, mas só sei que continua escurecendo bem tarde.

Boa parte dos passageiros iam continuar em outros tours da mesma empresa (para Alice Springs, alguns até Darwin) e ficaram no hostel da excursão. Eu fui a única indo pra hotel.

Adelaide, enfim!

A Hindley Street é a rua das casas de striptease, mas o hotel era bem arrumadinho. E ficava a uma quadra de um McDonalds 24 horas, onde eu jantei na primeira noite porque já passava das dez da noite, as cozinhas dos bares tinham fechado e eu não queria jantar acidentalmente em um strip-club.

Na manhã seguinte, fui bater perna em Adelaide. Peguei o tram para Glenelg, a praia. Tem um píer bem legal lá, e eu sinceramente achei que a praia pareceu melhor que as de Sydney (que eu conheci na semana seguinte). Era dia do Big Day Out em Adelaide, então tinha gente indo pros shows usando o tram.

De volta ao CBD, passei pelos parklands e pelas praças. Considerando o tamanho da cidade, tem bastante parkland e bastante praça. Vi a mostra de cultura aborígene no museu de South Australia (é de graça), perto da universidade e segui pra Rundle Street Mall, que é exatamente isso: um street mall. Sim, um calçadão. Mas com muitas grifes.

Dizem que os preços na Austrália valem a pena, mas 1) minha mala estava lotada; 2) meu orçamento era limitado; 3) eu compro camisetas pela internet.

No final da Rundle Street Mall, parei para comer isto aqui:

Baileys Embrace

Bolo fudge de chocolate ao Baileys com mousse de chocolate, coberto de ganache de chocolate e decorado com chocolate branco. Com milkshake de chocolate.

O momento gastronômico da viagem continuou com a tour no Barossa Valley no dia seguinte. Mais um dia no minibus, e wine tasting em quatro adegas. O  guia insistiu que as uvas da região produzem vinhos finos, e criticou um pouco o Jacob’s Creek (aliás: o creek é minúsculo), que tem propriedades no Barossa, mas produzindo vinho com uvas de fora.

Dia de vinho em South Australia.

Além do wine tasting, o passeio teve um almoço de pão, queijos, presuntos, pastas, amêndoas e azeitonas, e uma voltinha pelos vinhedos. Confesso que só fui uma vez a vinhedos aqui em Jundiaí, mas fui no Langmeil na Austrália.

Parece que nunca viu um vinhedo na vida.

Deixei Adelaide debaixo de garoa no domingo. Um táxi me levou até o aeroporto – ia pegar um shuttle bus por metade do preço, mas a empresa ligou no hotel avisando que o ônibus tinha quebrado. E quem passa por inspeção anti-bombas não pode chegar atrasada no aeroporto…

Parada rápida em Brisbane

Assim como Sydney, Brisbane tem um serviço de trem ligando aeroporto e centro da cidade. E o hotel era bem localizado: perto da estação de Roma Street, do lado de um Subway, com um 7 Eleven atravessando a rua.

Planejei uma tour noturna em Brisbane, mas o passeio miou por falta de interessados (a empresa me avisou uns dois dias antes por e-mail). Então saí correndo do hotel para pegar um ônibus até o Mt. Coot-Tha, aparentemente o melhor lugar para ver Brisbane de cima.

O sistema de ônibus de Brisbane parece ser bem organizado, com mapas no site e identificações nos pontos. Tem só uma linha indo até o Coot-Tha, então meu horário era ditado pelo timetable do ônibus. Fiquei lá o tempo entre um ônibus chegar e o seguinte partir, comendo um hambúrguer lindo, mas meio caro.

Fica fácil achar o CBD de Brisbane.

Dei sorte com o tempo em Brisbane: depois de algumas semanas de chuva, peguei muito sol nos meus dois dias na cidade. No dia que eu tinha inteiro, fiz o passeio que me motivou a ir até a cidade: Lone Pine Koala Sanctuary.

Tem como ir até o Lone Pine de ônibus e tal, mas eu preferi usar uma empresa de barco chamada Mirimar. O caminho é pelo rio Brisbane, e um áudio gravado apresenta os subúrbios e as histórias enquanto passamos. O rio Brisbane alagou a região no começo de 2011 (minha mãe estava preocupada com meu itinerário porque viu a enchente na internet – aí eu expliquei que tinha sido no ano passado), mas eu realmente não teria percebido nada nas casas vizinhas ao rio (tem umas bem bonitas, aliás).

O trajeto leva mais ou menos uma hora, e temos duas horas e 45 minutos no Lone Pine antes da volta. Pode ficar corrido se você vai assistir as apresentações, mas eu preferi andar pelo santuário por conta (eles entregam um mapa na entrada). Tem aves, répteis e até uma parte meio “fazenda”, mas vamos para os mais interessantes: o ornitorrinco é uma das coisas mais estranhas que eu já vi, mas bonitinho. E bem pequeno. E nada muito rápido. Dingos são cachorros lindos. E eu paguei sim para abraçar um coala:

E não me arrependo.

Também paguei para pegar um pouco de comida para os cangurus. Yep. Canguru comendo na minha mão, literalmente!

Não me arrependo nem um pouco.

Só o Lone Pine já teria feito valer a pena meu desvio por Brisbane, mas no fim eu achei a cidade super bonita. Tem boardwalks na beira do rio, e andei a partir do Southbank (meu hotel fica no CBD, mas pertinho da ponte de pedestres para o South Brisbane), passando por Kangaroo Point, cruzando a Story Bridge e voltando para o hotel pelo Jardim Botânico. Tinha até uma praia artificial montada no Southbank, mas eu estava achando lindo mesmo o rio Brisbane contornando a cidade.

Brisbane a partir da Story Bridge

Nesse caminho todo, tinha muita placa lembrando: “keep left”. Pois é, não é só para carros! Eu super concordo que pedestres deviam seguir certas regras, e achei isso o máximo (embora tenha demorado um pouco para me habituar com essa coisa de ficar à esquerda).

Gostei tanto de Brisbane que à noite voltei pro Southbank para conhecer a Wheel of Brisbane. Que é uma roda gigante com algumas frescuras. É bacana ver a cidade à noite – muita gente deitada ou correndo na margem do rio em plena segunda-feira –, mas a Wheel não tem nada de especial não.

O Southbank à noite, com a Wheel of Brisbane

Última parada: Sydney

Deixei Brisbane na manhã da terça-feira, desta vez sem revista especial no aeroporto. Dá para fazer checkin no celular para voos domésticos da Qantas, usando um daqueles códigos de barra na tela do celular como cartão de embarque. Você também imprime sua própria etiqueta de bagagem e coloca a mala na esteira para despachar (e aí torce para ter feito isso direito e a mala chegar no lugar certo).

A essa altura, já estava bem complicado de fechar a mala, mesmo que eu não tenha feito compras. Precisei passar algumas coisas para a minha mala de mão, que parecia ter engolido um boi. Minto: parecia ter engolido um coala (+joey), um canguru e um pinguim.

Meus companheiros de viagem

Pois é. Eu evitei compras, mas meu primeiro sobrinho estava para nascer e eu dei uma empolgada. Ele não pode babar em nada disso ainda (os bichinhos têm olhos de plástico e coisas assim), mas já estão todos lá no Rio. Sim, eu resisti à tentação de ficar com eles para mim.

Desembarcamos em Sydney novamente com tempo meio fechado. Meh. Aí vou de trem até o centro e a estação é meio feiosa, com gente dormindo no chão e cheiro de xixi. Foi meio deprê, na verdade, até porque eu já estava meio cansada de carregar a mala sozinha na Austrália.

Por isso, larguei a mala no quarto do hotel e saí andando. Precisava me sentir em Sydney. Andei até chegar na Sydney Opera House, com a Harbour Bridge ao fundo. Ok, estou em Sydney. Ainda sem muita empolgação, mas em Sydney.

Primeira foto que eu fiz em Sydney, a partir da SOH

Aproveitei para passar na bilheteria da SOH buscar meu ingresso e meus vouchers (comprei o pacote com jantar e drinks). Fiquei mais feliz.

Na quarta-feira, nem vi Sydney: peguei uma tour para Canberra (a capital). O problema é que não é tão perto assim, e você acaba passando mais tempo no ônibus do que na cidade.

Sou craque em ônibus fretado!

Canberra é uma cidade inventada tipo Brasília. Escolheram um lugar no meio do nada pra botar a capital e aí fizeram construções bacanas em um plano legal.

Canberra em um dia não lá muito bonito

A primeira parada foi no memorial militar. Aliás: australianos realmente se importam com seus heróis de guerra. Tem um feriado, Anzac Day, homenageando as tropas australianas e neo-zelandesas. Tem monumentos do Anzac em todos os lugares, e, quando estava fazendo minhas reservas, vi que várias coisas avisavam que não funcionavam em duas datas: Natal e Anzac Day (25 de abril). Anzac Day parece ser muito mais importante que o Australia Day. Acho que eles sentem alguma culpa pelos aborígenes, mas não muita pelos turcos.

Voltando ao memorial militar… sabe que foi a parte mais interessante da tour? O prédio é muito bonito, assim como o túmulo do soldado desconhecido. Os itens do acervo são incríveis – tem uniforme de verdade com barro de verdade, tem avião de verdade! Tem poppies espalhados em várias partes do memorial.

Muitos poppies, muitos nomes

Também fomos ao museu de arte, onde uma guia muito simpática e didática apresentou a parte de arte aborígene fazendo mímicas porque achou que os turistas tinham cara de gente que não entende inglês.

E fomos ao parlamento para conhecer o prédio, passar por detectores de metal e assistirmos, sem poder carregar nenhuma bolsa ou câmera, alguns minutos de sessão.

Depois da quarta-feira em Canberra com ônibus de excursão, guia e cara de respeito, a quinta-feira foi dia de ônibus de linha, de bater perna na praia. Peguei um ônibus no CBD para Bondi Beach – supostamente a praia mais famosa da Austrália.

O sol ainda demorou para dar as caras...

Não achei lá tudo isso, mas eu não entendo nada de praia.

Botei o pé (dentro da bota) na areia de Bondi

Aí andei em yet another boardwalk para fazer o “Eastern Beaches Coastal Walk”. Saindo de Bondi, tem mais pedras, mais penhascos e paisagens mais interessantes.

Mais bonito que Bondi, vai

Aliás, o Coastal Walk tem todas essas paisagens bonitas e o barulho do mar, mas eu fiquei muito mais interessada nas coisas insólitas que aparecem no meio do caminho. Tipo estas piscinas (eu vi umas três):

Como é que construíram isso?

Ou esta praia de concreto.

Aliás, como é que construíram isso?

Ou ainda o cemitério.

É uma afronta imobiliária

Até finalmente chegar em Coogee.

Vitória! \o/

(Não é tão longe assim, na verdade. É só o sol.)

Peguei um ônibus em Coogee e desci perto do Haymarket. No Paddy’s, entrei no labirinto de lojinhas de souvenirs australianos fabricados na China. Difícil é saber se você já viu aquela lojinha ou não.

(Mas se você vai comprar presentinhos tipo “Estive em Sydney e lembrei-me de você”, este é o lugar. O mesmo souvenir made in China custa até quatro vezes mais no Circular Quay.)

Fui econômica nas lojinhas, aí queimei 208 dólares para fazer o BridgeClimb.

O negócio do BridgeClimb é que a operação toda realmente deve ser meio cara (embora eles provavelmente enfiem a faca um tanto além do necessário). Primeiro você vai no escritório deles, embaixo da Harbour Bridge, para pagar a climb. Aí um funcionário te dá as primeiras instruções, um teste de bafômetro e alguns formulários. Aí você coloca o macacão deles e guarda suas coisas no armário (a chave fica em um cordão que você coloca no pescoço).

Aí vem o seu guia, ou climbleader. Ele dá mais instruções e ajuda você a colocar o cinto de utilidades. Aí você vai recebendo lenço, fleece, capa de chuva, fone de ouvido…

Não tem nada de super assustador ou altas doses de adrenalina nesse passeio. Tem um pouco de emoção quando o trem passa enquanto você está descendo a escada, mas nada que cause medo paralisante. A estrutura da ponte é bem larga, então você nunca fica na pontinha.

Você não pode levar nada de seu na climb. Presilhas de cabelo de metal, por exemplo, são vetadas. E câmeras, nem pensar (oficialmente, por segurança – mas você pode comprar algumas fotos super caras tiradas pelo climbleader.

Não deixa de ser tourist trap. Mas eu andei em cima da Sydney Harbour fucking Bridge.

Sim, eu paguei uma fortun pela foto

Cheia de bolhas nos pés, enrolei para sair da cama na sexta-feira. Estava acordada, lendo e-mails no celular, quando o telefone tocou. Quem me ligava no chip Vodafone? O meu irmão.

Enquanto eu estava na Austrália, meu sobrinho nasceu no Rio de Janeiro.

Virei tia!

Comemorei sozinha no Lindt Chocolate Cafe que tinha na esquina da rua do hotel. Que eu felizmente só descobri na quinta – não dá para pagar 25 dólares para comer waffle com frappé todos os dias, né.

Durante a tarde, resolvi não me perder sozinha em Sydney e apareci no ponto de encontro da tour a pé que se diz de graça (mas, no fim, todo mundo dá uma nota para a guia). O primeiro passeio saiu do CBD em direção ao Circular Quay, com um pouquinho dos Rocks. Resolvi ficar para o segundo passeio, nos Rocks (até porque essa região de Sydney é cheia de ruazinhas confusas).

No final do segundo passeio, pensei “Ah, já estou aqui mesmo” e resolvi cruzar a Harbour Bridge (pela calçada, desta vez) enquanto anoitecia.

Sydney Harbour fucking Bridge!

Eu entendo que a ponte seja simplesmente uma ponte, com pessoas cruzando em seus carros para voltar para casa depois do trabalho. Mas, para mim, é a ponte dos fogos da virada de ano (na TV), e um ótimo lugar para tirar fotos da Opera House.

Sydney Opera House, vista da Harbour Bridge

Conheci melhor a SOH na manhã seguinte, quando fiz a tour guiada. O guia mostrou quatro salas de espetáculos da Opera House, contando histórias sobre cada uma. Também tem alguns vídeos sobre a história e a construção da SOH (tipo a briga com o arquiteto).

Pausa para pensar em como a Sydney Opera House é simplesmente incrível.

<3 SOH

Saindo da SOH, voltei para a Harbour Bridge (perceba o padrão) porque tinha um voucher para o Pylon Lookout. Se você não quer pagar os 208 dólares australianos do BridgeClimb, pague os 11 do Pylon Lookout, suba os 200 degraus e veja a baía inteira.

O centro de Sydney

(Lá também tem uma exposição modesta sobre a construção da ponte.)

Depois do Pylon Lookout, voltei para o Circular Quay e peguei a ferry para Manly, um subúrbio a norte de Sydney e mais para a entrada da baía. Dizem que a praia é legal, mas achei meio deprê ver os turistas sentados em bancos na frente da praia, olhando para a areia. Era sábado.

Manly Beach bombando

Mas o passeio de ferry é legal – embora tivesse uma goteira acima da minha janela. Aliás, e o tempo em Sydney? Acordei nesse sábado com um dia meio cinza, aí peguei sol quando estava indo para Manly, aí fugi de Manly porque o tempo estava fechando horrores.

Cheguei em Sydney torcendo pra não chover quando desse o horário da apresentação que eu ia assistir na SOH. E aí saiu o sol, de novo.

Ainda tinha sol quando eu caminhei do hotel até o Circular Quay. Jantei num restaurante bonitinho chamado Eastbank – uma pasta alla carbonara muito boa. A sobremesa foi uma variação de tiramisu com nuts em cima.

Depois de dias comendo fastfood...

Na Opera House, vi a Sinfônica de Sydney apresentando uma peça do Strauss (Metamorphosen) e a Nona Sinfonia do Beethoven. Não morro por musica erudita, mas música erudita apresentada no Concert Hall da SOH é uma experiência.

Quando acabou o concerto, acabou minha última noite em Sydney. Reparem só na cara de “estou tentando ser forte” (#fail):

Eu devia ter photoshopado isto aqui...

Aí… aí foi voltar para o hotel, andando sozinha na noite de Sydney. Muita dificuldade para arrumar a mala (tive que dormir um pouco e acordei à 1:30am para terminar). Dormir, acordar, fazer checkout, arrastar a mala até a estação.

Fui embora da Austrália com muitas bolhas no pé, marcas horríveis de bronzeado, um pouco de saudades de casa e 20 dólares e algumas moedas no bolso.

3 comentários

  1. janaina disse:

    incrivel sua viagem e q coragem pra ir sozinha ne..
    :)

  2. Yuri disse:

    Fantástico!! Seu post ficou o maximo.. apesar de um pouco longo, vc postou tbm muitas fotos aee n ficou monotono. Parabéns pela viagem e tbm pelo sobrinho, claro! Meu sonho (um dos..rrsrsrs) é poder um dia conhecer a Austrália.. Td de bom p vc!!

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