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set

Assim você me deixa com vergonha, “Glee”!

Quis assistir “Glee” na primeira vez que vi o promo da Fox enquanto assistia “American Idol” em stream, em 2009. Vi o piloto em maio, aguardei ansiosamente pelo retorno em setembro – e depois aguardei ansiosamente pelo back-nine em abril de 2010.

Porque “Glee” tinha seus momentos. Tipo o episódio do Kurt (aquele com o time de futebol dançando “Single Ladies”), tipo os mash-ups, tipo os Acafellas, tipo o Neil Patrick Harris em um episódio dirigido pelo Joss Whedon. Tipo o final de temporada, que eu elogiei publicamente!

Só que, de tempos em tempos, parece que The Powers That Be decidem que sabem do que é que nós gostamos e resolvem ir para a overdose. Vocês gostam de Sue Sylvester? Então ela terá um clipe da Madonna. Gostaram do clipe da Madonna? Então vamos recriar outro clipe – com a Olivia Newton-John. E gostaram do especial da Madonna? Então vamos fazer um especial da Lady Gaga. E um da Britney Spears…

Brittany S. Pears e Britney Spears

Fazer o especial em si não é o problema. Britney Spears não é nenhum problema. O problema é que especiais são claramente forçados. E o “Britney/Brittany” foi simplesmente mal escrito. O que justificaria uma storyline em que quatro músicas são parte de reações provocadas pela anestesia no dentista? E por que nós precisamos passar pelo incômodo do Mr. Schuester roubando o spotlight dos alunos sem nenhum constrangimento?

O episódio teve como grande mérito mostrar que a Heather Morris realmente sabe dançar e que a Lea Michele assistiu “Baby One More Time” à exaustão (nós também, Lea!) – e só. O desenvolvimento de Fachel piora a cada segundo. O Artie pós-chute é puro self-pity-party-for-one. O discurso do Kurt foi tão irritante que deveria ter provocado suspensão pelo bem do telespectador. A Beiste me dá saudades do Tanaka (eles mudaram de ideia sobre a personagem?). E a Rachel Berry precisava rolar aquela lágrima no final da música do Paramore? Really?

A impressão é que diálogos e roteiros ficaram em segundo lugar porque viraram filler entre cenas musicais gratuitas. Considerando os dois primeiros episódios desta temporada, começo a sentir falta da narrativa de “American Idol”! Minha mãe disse que só gostava das apresentações em “Glee” – porque o resto era bobinho mesmo. Mas era um bobinho bom – ou talvez menos constrangedor. E as cenas musicais faziam sentido com o resto da história – tipo o Artie se imaginando em um grande número de dança.

Porque, querido “Glee”: se eu só quero ver quadros musicais pop sem contexto, existe uma invenção chamada “videoclipe” que me faz perder menos tempo.

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