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out

Parem as máquinas – vou falar sobre o JC

Desde esta quinta-feira, eu não respondo por mais nada que aconteça no site do Jornal do Campus. Poderia falar que fui chutada por e-mail e que vou escrever uma balada tipo Taylor Swift (eu sempre confundi músicas de desilusão amorosa com rejeições profissionais), mas preciso confessar certo desapego. Nas sábias palavras de Ms. Swift,

We hadn’t seen each other in a month when you said you needed space.

Eu comentei JC em blogs raríssimas vezes – evitava porque não parecia ser muito profissional, mesmo que meu vínculo pseudoprofissional tenha acabado uns três anos atrás. Mas acho que, depois de quatro anos, tenho um pouquinho de direito de escrever uma música um post sobre O FIM.

Jornal do Campus é obrigatório para jornalecos e dura um semestre. O meu foi o segundo semestre de 2002, e deveria ter acabado por lá e pronto. Até que, em 2008, eu comecei a fazer mestrado na ECA.

Eu comecei o mestrado trabalhando em um freela fixo esquema home office – não pagava muito, mas me dava muito tempo na vida. Consegui uma bolsa antes do final daquele ano. Então eu tinha tempo e queria fazer o mestrado decentemente, sabe, e resolvi aproveitar para fazer o estágio PAE – o “Programa de Aperfeiçoamento de Ensino”.

Seu principal objetivo é aprimorar a formação do pós-graduando para atividade didática de graduação e sua composição consiste em duas etapas: Preparação Pedagógica e Estágio Supervisionado em Docência.

Basicamente é uma coisa que inventaram porque uma parte muito grande dos pós-graduandos acabam se dedicando à docência, e pesquisadores nem sempre são lá grandes professores (depois eu descobri que as duas disciplinas de pós na FE sobre docência no Ensino Superior são bem disputadas por pós-graduandos da USP inteira que não pretendem sair nunca da universidade), mas na verdade eu fiz porque PAE com o meu orientador seria JC.

E eu gostei muito de JC em 2002.

(Eu também gostava de terceiro ano do colégio e simulados para o vestibular. Me deixa.)

A primeira reunião de JC que eu acompanhei no PAE foi no começo do segundo semestre de 2008. A descrição que eu escrevi para aquele dia foi “tudo igual, mas tudo diferente”. Tive um pouco de dificuldade em identificar qual era o meu lugar naquilo, mas a necessidade resolveu: eu virei a menina do site (embora turmas mais recentes me chamassem de “moça do site” quando pediam meu contato – ah, o horror…).

O site do JC roda em WordPress porque é tão melhor do que Drupal – pelo menos para pessoas normais. Alguns plugins essenciais e um tema que eu mesma OMG consegui escrever ajudam a adaptar o jornal para o site – editorias, edições, múltiplos autores, manchetes, chamadas. Como a criança é minha e passou esses quatro anos comigo, não consigo avaliar o quanto ele complica e o quanto ele facilita.

Mas acho que não fui muito ruim nessa experiência toda. O site, afinal, funciona (em toda essa loucura que eu tentei descrever). E vem funcionando durante oito semestres inteiros. Não faltam edições, não faltam textos. Quando alguém negligenciava (e sempre tinha alguém negligenciando), eu cobrava, cobrava, cobrava… e acabava subindo eu mesma o(s) texto(s) que estivesse(m) faltando antes do fechamento da edição seguinte.

Você pode me achar babaca de achar que eu fiz grande coisa, mas esta era a história anterior do site do JC: uma edição especial publicada no final da década de 1990 e uma retomada feita pelo Gustavo em 2002 – durou três semestres, com edições faltando. Claro que na época tudo era feito na unha – ou, pior, no FrontPage –, mas me deixa.

Como eu tenho sérios problemas, também re-editava imagens que chegavam com tamanho e/ou qualidade inadequados. Reformava infográficos para que continuassem legíveis. Formatava o texto usando os estilos adequados (queridos: existem estilos no InDesign e no CSS – eles são seus amigos, então usem!).

Foram quatro anos de tirania, mas foram também quatro anos de consistência visual.

O site foi a última coisa que eu acompanhei no JC.

Durante os quatro primeiros semestres, eu também participava da reunião de avaliação (se você deu sorte azar, eu posso ter ficado em algum dos seus fechamentos). Aí eu contava as fotos e falava que poxa vida, tem mais páginas do que fotos neste jornal, e metade delas vieram como “Divulgação”!, e me respondiam que o Departamento não tinha câmeras. E eu super concordo que é um absurdo um departamento uspiano não fornecer um material tão básico para um curso tão barato (não estamos falando de supercomputadores e laboratórios de anatomia!), mas eu também sempre queria incluir na minha tréplica que em 2002 tudo o que o CJE dava era a revelação de dois rolos de filme com 12 poses, e mesmo assim a gente tinha fotos.

Vocês, queridos, estão na dedicatória da minha dissertação.

Precisei abandonar as reuniões de avaliação na metade de 2010, pouco depois de começar a trabalhar as tais 40 horas semanais e imediatamente antes de terminar a pesquisa. Mas mandei comentários por mais três semestres, até que o doutorado veio ocupar o resto de tempo que eu tinha.

Até o semestre passado, eu continuava na lista de e-mails – geralmente reclamando que alguém não tinha subido o texto no site, ou implorando pedindo para alguém responder e-mails  JC, ou indicando matérias anteriores relacionadas a pautas novas. Ok, de vez em quando também rolava um chitchat – peço desculpas. Uma das situações mais insólitas dessa história toda de participação a distância foi quando uma das jornalecas que fez JC no segundo semestre de 2011 me viu na Penguin Island, na Austrália, no meio das férias, e me chamou “Lhys!” – sim, isso aconteceu.

Este foi o primeiro semestre em que eu não entrei na lista de e-mails e ninguém entrou na minha timeline.

Pensando assim, até que não foi tão estranho que eu tenha superado o fim de caso até que em pouco tempo. Foram mais ou menos 30 minutos entre o WHAT? e o ok, já estava na hora. É hora de parar de me preocupar com imagens além do largura da coluna, com linhas quebradas, com a formatação adequada do intertítulo e da linha fina. É hora de preparar o seminário para a aula com o orientador atual, na FE. É hora de talvez quem sabe pode ser passar um semestre como PAE por lá.

Desde esta quinta-feira, eu não respondo por mais nada que aconteça no site do Jornal do Campus. Mas o que importa é que muita continue acontecendo por lá, com preocupações maiores do que o alinhamento do texto.

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