07

out

Confissão #32

Tudo o que eu sei de inglês, aprendi com Bon Jovi.

Era uma vez uma garota de 12 anos que queria ir ao show do Bon Jovi. Não que eu conhecesse muitas músicas do Bon Jovi, mas me sentia no direito de ouvir “You Give Love a Bad Name” e me apaixonar pelo Jon Bon Jovi. É claro que eu não fui ao show (só fui ao meu primeiro uns 3 anos depois – com irmão e irmã mais velhos acompanhando), então passei os meses seguintes assistindo à exaustão o VHS com a gravação e ouvindo aqueles pequenos clássicos (vocês já viram meus CDs). E vamos combinar que ouvir Bon Jovi é ótimo para quem está aprendendo inglês. Digo isso porque tentei com Smashing Pumpkins e Radiohead e as músicas basicamente não faziam sentido nenhum (algumas ainda não fazem), mas uma baladinha do Bon Jovi tem a quantidade certa de metáforas para não confundir ninguém.

Foi por causa de 1995 que eu fui ontem ao show do Bon Jovi. E pra falar do show do Bon Jovi:

  1. Crime premeditado: deixei uma troca de roupas e pijama com a Leda no final de semana, para ter o que vestir no trabalho na quinta. Show do Bon Jovi não é walk of shame – então nada de aparecer no dia seguinte com a roupa de ontem e um sorriso ridículo. Só o sorriso ridículo está bom.
  2. Taxista da ida (R$30) era muito melhor que o da volta (R$35). O da ida arrumou o caminho alternativo para pegar menos trânsito; o da volta quase se perdeu no Jd. Ester e eu só achei a rua certa por sorte. Agradeço aos dois mesmo assim.
  3. Quem teve a brilhante ideia de colocar pessoas de “Orientação” com camisetas pretas? Queridos, é um show. Vocês repararam que muita gente está de camiseta preta?
  4. Quase duas horas esperando a Naila e o Shimizu, mas valeu a pena. E eles me salvaram de ver Fresno.
  5. Enquanto eu esperava, super bati papo com seguranças (espírito working men, certo?) que estavam achando que meus amigos eram imaginários.
  6. Coisas que eu vi enquanto esperava: você, que tirou a roupa de couro do armário; você, que combinou couro com estampa de oncinha; você, que está usando salto alto em show no estádio; você, adolescente com faixa “Eu fui” na testa; você, que imitou essa tatuagem do Superman no seu braço magrela…
  7. Estava meio tensa com o Showpass, mas funcionou direitinho. Ufa.
  8. Sinal da Vivo no estádio com aquele monte de gente? Não funciona. Peço desculpas se algum SMS chegou na hora errada (tipo às 2 da manhã).
  9. Não sei muito bem como isso acontece, mas de repente cantar “Wanted dead or alive” com aquela galera que eu nunca vi na vida parece tão legal…
  10. Não sei muito bem com isso acontece, mas de repente pular e gritar histericamente são as únicas coisas naturais a se fazer. Sinto muito, pessoa que estava na minha frente.
  11. Quando foi que Bon Jovi virou banda de jam? “Lay your hands on me”, “Bad medicine” e tantas outras são puro gifts that keep giving – vamos intercalar solos de guitarra e refrão até amanhã, ok?
  12. Quase três horas de show e eu quase morri quando tocou “These Days” (já falei sobre 1995?).
  13. Não tenho mais idade para essas coisas. E deveria enviar uma nota de agradecimento à Leslia Sansone por ainda estar em pé.
  14. Água? Só depois do show. Eu basicamente fiquei longe de qualquer coisa bebível (fora a cerveja que derrubaram no meu ombro, thank you very much) das 18:00 à meia-noite porque não ia usar banheiro químico. Ou banheiro do estádio.
  15. Quem aí quer uma irmã mais nova que te acorda às 2 da manhã para abrir a porta, come seu mingau, senta na sua cadeirinha e dorme na sua caminha?
  16. Mas quem aí quer a irmã mais velha que compra a padaria para você ter o que comer quando chega (e descobre que está sim com fome), deixa sua cama arrumada (a mesma cama que eu larguei desarrumada hoje de manhã), seca seu cabelo enquanto você escova os dentes (srsly, isso aconteceu) e te dá carona para o trabalho na manhã seguinte?

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