02

dez

Sobre a O2 de Novak Djokovic e o Ibirapuera de Guido Pella

Enquanto eu estava em Londres vendo o ATP World Tour Finals, fazia questão de comentar com outros torcedores que existe uma coisa chamada ATP Challenger Tour Finals, e que eu pretendia assistir isso em São Paulo no final do mês.

Não pude ver o primeiro dia (problemas pessoais, juro), mas fui para o Ibirapuera nos quatro dias seguintes. A explicação honesta é que eu queria ver um pouco de várzea vida real. Mas vamos fingir que eu fui lá para poder comparar um torneio com o outro.

Agradecimentos para @_mariosergio e @alcalejon pela companhia (mesmo quando eu torci para o Pella no jogo contra o Hanescu), para a @sheilokavieira, que dividiu comigo as duas experiências, e principalmente para a minha irmã, que não tem Twitter e é melhor do que todas as outras pessoas do mundo (me deu asilo e transporte durante o torneio).

O acesso

ATP World Tour Finals
A estação de Canary Wharf fica a pouco mais de 500 metros do hotel. North Greenwich é a estação seguinte, levando cerca de 3 minutos de viagem. A saída da estação de North Greenwich fica a poucos metros da Arena O2, com uma passagem coberta para pedestres.

ATP Challenger Finals
A estação do Butantã fica a 3,5 km do meu trabalho. Com o Busp, o trajeto leva em torno de 35 minutos. É preciso percorrer três estações da linha Amarela, levando entre 10 e 15 minutos. A baldeação da estação Paulista para a estação Consolação, lotada, pode levar até 10 minutos. Na linha verde, são 7 minutos até a estação Brigadeiro, a mais próxima do Ginásio do Ibirapuera. Descendo a Manoel da Nóbrega, o 1,4km leva cerca de 20 minutos para ser percorrido, dependendo de semáforos para atravessar as ruas.

A alimentação

ATP World Tour Finals
Existem dezenas de restaurantes dentro da Arena O2, do tipo de entrar, sentar e pedir para o garçom. Os preços variam bastante, e o tipo de comida também: rodízio brasileiro, comida italiana, cozinha britânica, vegetariano, latino, hamburgueria ou o que imaginar. Como é restaurante tradicional, as pessoas demoram e existem filas longas para comer na maior parte deles.

As alternativas são uma banca com lanches prontos e guloseimas (entra, compra, sai) e as bancas imediatamente externas à arquibancada (você compra seu lanche, comida chinesa, pizza, hot dog ou fish and chips e leva tudo isso para seu assento). O combo (cheeseburger + chips + refrigerante) saía por 10 libras.

ATP Challenger Finals
Existe um McDeprê na Rua Jundiaí, onde eu comprei McOfertas na quarta, quinta e sexta-feira (até 20 reais por lanche + batata + refrigerante). Em um dos dias, uma criança queria mostrar qualquer coisa no display de brinquedos do McLanche Feliz e escorregou numa poça d’água (sinalizada, mas sem ninguém enxugando). O balconista não tinha gelo (!) para colocarem no machucado.

Dentro do Ibirapuera, vendedores circulam com cerveja, refrigerante, Doritos, lanches (8 reais pelo burguer, 5 reais o cachorro-quente), crepes no palito (7 reais). Esses vendedores parecem convenientes quando o ginásio está vazio, mas complicam quando está um pouco mais cheio. No sábado, os seguranças tinham trabalho pedindo para eles ficarem sentados durante os pontos. Lembro que na final do Brasil Open era várzea mesmo, com vendedor carregando caixa de isopor na sua frente em qualquer momento, sendo que mal tem espaço para as suas pernas – quanto mais para alguém ficar passando!

A estrutura

ATP World Tour Finals
Não existe nada parecido com a Arena O2 em São Paulo. Simples assim. Tem espaço para tudo, incluindo a fanzone. Os banheiros eram bons, mas sempre tinham fila (tinha muita gente querendo aproveitar intervalos). Ações de patrocinadores usavam os reservas em espaços reservados para isso.

Acho aquele sistema de iluminação do Finals meio megalomaníaco, mas nada que comprometa. Tinha um telão no fundo e aquele bloco em cima da quadra (atrapalhando os balões), que infelizmente não mostravam imagens ao vivo durante o jogo. E tem aquelas animações cansativas de “Ace”, “Setpoint”, “Matchpoint”… os tenistas precisavam ficar esperando. É meio chato e brega.

ATP Challenger Finals
O Ibirapuera é suficiente para o mínimo. Tem uma quadra, tem cadeiras. Tinha uma lojinha Wilson lá fora. Os banheiros estavam aceitáveis (com pouca gente usando), se você não se importar com detalhes como sabonete.

Acho que teve clínica com crianças em um dos dias da fase de grupos (só cheguei depois). O Pella também teve que bater bola com alguém dos Correios antes do primeiro jogo das semis (foi meio… desconfortável). Maaaaas o mascote dos Correios levava as bolas novas uma vez por jogo. Adoro o mascote dos Correios. Deviam fazer um bonecão do entregador da Fedex para #newballsplease no World Tour Finals.

Um telão no canto da quadra mostra o placar (e algumas propagandas no intervalo – oi, Neymar!). Balões à vontade na cobertura alta do Ibirapuera. As animações fizeram falta nos dias mais esvaziados, porque a torcida não reagia nem com matchpoint acontecendo.

Os juízes e as outras pessoas trabalhando

ATP World Tour Finals
Toda a parte de pessoal tinha mais noção. A fila de entrada corria bem rápida, apesar do grande número de pessoas. Os seguranças que controlavam o acesso à O2 e à quadra faziam o serviço sendo suficientemente simpáticos.

Os ballkids eram ótimos (embora eu tenha cansado do vídeo contando sobre a seleção) – é preciso ver a movimentação na quadra para entender. Os juízes de cadeira ficaram devendo em alguns momentos, mas a quadra era mais rápida, as porradas eram mais fortes e tinha o hawkeye. Os juízes de cadeira… poxa, tinha o Layhani sendo constrangedor e cometendo uma #barbaridad no Federer x Ferrer. Mas também teve a despedida do Lars Graff.

ATP Challenger Finals
A bilheteria do Ibirapuera foi ridiculamente lenta no dia em que eu comprei meus ingressos (comprei lá porque não queria pagar 1 real de “taxa de conveniência” mais a entrega, considerando que o ingresso era barato e não esgotaria de jeito nenhum). A entrada era tranquila. Os seguranças que controlavam o acesso à quadra… putz, eles chamavam as pessoas com “psiu”. Um deles me fez “psiu” para mostrar que tinha um celular igual ao meu. E tiveram alguma dificuldade com vendedores e pessoas que queriam entrar em qualquer momento.

Os boleiros eram bem medianos, para falar a verdade. A circulação de bolinhas era meio desajeitada, e juízes precisavam pedir para eles recolherem alguma bolinha perdida no fundo da quadra para que o ponto pudesse começar. E eles eram mais altos que os tenistas (menos no caso do Hanescu).

Juízes de linha tinham dificuldade extrema com os saques. O Carlos Bernardes fez algumas correções em alguns lances, mas os tenistas mal estavam reclamando depois do segundo dia. Encontrei o El Jennati pedindo para tirarem a foto dele com a quadra no fundo em um dos jogos.

A torcida

ATP World Tour Finals
Sem ilusões aqui: tem torcedor mala em qualquer lugar do mundo. E imitar o Layhani parece ser um hábito internacional.

Tinha gente gritando entre primeiro e segundo serviço, tinha federete gritando quando o Federer aparecia na vinheta que passava no telão, tinha gente que não parava de falar, tinha os VIPs dos camarotes jantando e gargalhando sem nenhum constrangimento.

Mas a maior parte das pessoas estavam acompanhando os jogos com algum interesse.

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Não vi o jogo do Thomaz. Nos que eu assisti, não teve nenhuma grande polêmica. Ok, teve uma vaia pro Ungur no jogo contra o Thiago Alves, mas a situação era questionável (depois comento isso).

E, claro, tinha gente bem perdida na torcida. Mas, sabe, legal, quem sabe você gosta e começa a acompanhar a partir de agora e passa a entender que aquele 4-1 tinha o mesmo número de quebras que este 5-3.

A pior coisa na torcida foi a falta de envolvimento. Momentos importantes acontecendo, e ninguém nem se manifestava. Melhorou bastante na final.

Os preços

ATP World Tour Finals
Compramos o ingresso com antecedência pelo Ticketmaster UK, que foi meio complicado e ainda não devolveu a cobrança de um ingresso que eles mesmos cancelaram. Aliás, não foi possível comprar com o mesmo cartão de crédito dois ingressos para todas as sessões do torneio – #FAIL.

Fiquei no upper ring, que era mais barato. Na fase de grupos, uma sessão com dois jogos (um de duplas, um de simples) custava 28.50 libras. Meu ingresso mais caro foi a única sessão de lower ring, uma semifinal (um jogo de duplas, um de simples) por 99 libras. Meu assento para a final (duplas e simples), lá perto do teto, custava 72 libras.

Continua saindo mais em conta do que o ingresso para as exibições do Federer em São Paulo.

ATP Challenger Finals
O ingresso para qualquer dia custava 10 reais. Eu paguei meia: 5 reais, e sem taxas porque comprei direto na bilheteria. Na fase de grupos, eram quatro jogos por dia. Na semifinal, dois jogos. Na final, um jogo.

No dia que teve clínica com crianças, vi um garotinho tentando revender o ingresso dele para o dia seguinte. Não sei o que ele pretendia fazer com aquela fortuna.

Os jogos

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Aqui fica a grande diferença. São os 8 melhores tenistas do ano (correção: são 7 dos oito melhores e o nono colocado), então não tinha como ser ruim. Os jogos de duplas foram super equilibrados, com alguns momentos muito bons e alguns momentos emocionantes. O jogos de simples começavam com aquela emoçãozinha de ter Federer, Djokovic, Murray na quadra… o Ferrer no primeiro jogo foi tão impressionante (eu nunca tinha visto ele ao vivo). E a final foi espetacular.

O jogo mais difícil de assistir foi aquele Ferrer x Tipsarevic, quando os dois entraram em quadra já eliminados. O Janko estava sofrendo muito naquela semana, e o Ferrer teve muita dificuldade de se concentrar (mas eventualmente conseguiu ganhar). Mas, nos outros dias, foram muitos jogos em que eu só conseguia me explicar com “Esse ponto!”, “Esse jogo!”, “OMFG”.

ATP Challenger Finals
É claro que não cheguei para Pella x Ramirez Hidalgo achando que seria um Nolandy. Mas os jogos da fase de grupos ficaram bem abaixo do que poderiam ser. Não existiam “Esse ponto!”. Não vi nenhum “Esse jogo!”.

A quinta-feira foi particulamente difícil. Cheguei no segundo set do Bedene atropelando o Lorenzi (bom jogo do esloveno), aí começou Ungur x Alves. O Ungur já estava classificado e, depois que perdeu o primeiro set, simplesmente entregou. O final do segundo set era constrangedor e desconfortável. O romeno batia para errar. Como o Alves também errava, o Ungur começou a sacar duplas faltas e pronto. Eu entendo o lado do romeno, mas é péssimo para o adversário e para a torcida, que começou a achar que dez reais eram caros demais para isso. Dignidade, cadê?

Felizmente, as semifinais melhoraram, e a final foi o melhor jogo que eu vi no torneio inteiro. Eu realmente acharia triste se a ATP ou os organizadores/patrocinadores de São Paulo desistissem do torneio, embora ele tenha lá seus problemas.

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