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mar

Vamos fingir que o assunto deste post é a reunião do 5ive

Umas duas semanas atrás eu estava no aniversário da Marcela conversando com velhos amigos da faculdade (fizemos matrícula em 2001, pessoas). Deve ser uma coisa de jornalistas, porque a conversa nunca morre e você nunca é forçado a fazer interrogatórios para evitar silêncios (possivelmente menos) constrangedores. Um pouco de como vai você, um tanto de atualidades e montes de “minha vida de jornalista na redação”. Montes. Pronto, falei.

Como eu não conheço essas pessoas da redação e não faço questão de lembrar do meu trabalho (era sábado, pessoas), minha estratégia péssima é espalhar as frases do meu monólogo sobre coisas que eu estou assistindo, curiosidades que eu li e boybands no meio da conversa, torcendo pra alguma delas dar resposta. Não tentem em casa, é uma péssima estratégia.

Boom, reclamações aos amigos e minha estratégia foram reveladas na internet. Tudo bem, você não está lendo este post e jamais irá comentar isso comigo. Mas onde eu estava mesmo?

Ah, sim, a péssima estratégia. Naquele sábado, eu soltei a frase “New Kids on the Block vão fazer uma turnê com 98º e…. (suspense) Boyz II Men”. Aí eu consegui uma resposta:

Quem é Boyz II Men?

I kid you not. Eu esperava já o “Quem é 98º?” (resposta: sabe a Jessica Simpson? Lembra quando ela era casada? Então, o ex-marido dela era o vocalista do 98º.), mas essa realmente me surpreendeu. Eu nem era fã de Boyz II Men – eles sempre foram “fazemos R&B digno e autêntico” demais para meu gosto por boybands –, mas hello, I’ll make love to you? 14 semanas liderando o Hot 100 da Billboard? É como alguém falando “Whitney o quê?”, sabe.

Já que estou em modo #prontofalei, volto para questão das conversas com os velhos amigos da faculdade. Percebi nesta semana que a insistência em falar sobre vida-na-redação é aquela coisa que vocês sempre fizeram e está tudo bem. You’re just being Miley. Então, nessa lógica, falar sobre boybands é aquela coisa que eu sempre fiz, e está tudo bem.

Assim, tudo bem naquelas. Porque a outra coisa que eu percebi nesta semana é que estou considerando boybands uma categoria digna de história. Em vez de estudar a Guerra Fria, vamos estudar a saída do Robbie Williams do Take That. Ou, no caso, vamos estudar a ascensão e queda do 5ive.

Preciso agradecer a ITV, por ter inventado este momento, e a pessoa muito gentil que subiu no Youtube vídeos editando apenas as partes do 5ive. Sinto muito, mas não faço questão de ver Kerry Katona, sabe.

Então eu fiquei assistindo a participação do 5ive no Big Reunion porque Abs Breen (não vou te chamar de Abz Love a não ser que o 5ive lance coisa nova e você use esse nome, tá) é absolutamente genial e deveria ser jurado do X Factor UK no lugar do Gary Barlow. E porque o Richie faz imitações ótimas do Simon Cowell e do breakdown do Scott (com gagueira e tudo). E porque as versões de “When the lights go out” no piano e de “If ya gettin’ down” com Abs fazendo a parte do J precisam ser apreciadas.

(Mentira. É por causa de Abs. Não consigo explicar com palavras o que é Abs usando aquele boné do unicórnio e falando sobre tomar tranquilizante de cavalo, ser gigolô e cultivar cenouras enroladas.)

Nas primeiras participações, os quatro (J Brown não quis brincar) fazem toda aquele momento nostalgia de como foi começar, como foi estourar e como foi implodir. Mas também tem um pouco de “como está sua vida neste momento”.

Richie tem um bar. Em Sydney.
Abs tem um sítio. Com cenouras.
Scott tem filhos. E parece ser stay-at-home dad.
Sean… ok, Sean ainda tenta voltar a ter carreira na música. Sem a ajuda de The Voice.
(e o J deve estar fazendo alguma coisa muito importante, já que não apareceu.)

Eu nunca penso que esses caras têm uma vida extra e pós-boyband.

Aí o Abs fala sobre a reunião: “It could be amazing, potentially something beautiful.”

Poderia, Abs. Mas poderia ser realmente feio. Poderia ter Sean perdendo o resto de confiança que sobrou. Poderia ter Scott surtando e chutando tudo (ele tem filhos, gente). Poderia ter Abs perdendo o sítio e trocando a namorada pelo cara que ofereceu o Bentley. Poderia ter o Richie… bom, ele voltaria pro bar e pronto.

Mesmo que não seja feio, o ponto é que cada um tem as suas coisas e eu realmente comecei a pensar que minha vontade de ouvir “Keep on movin'” ao vivo não é suficiente para todo mundo largar suas cenouras enroladas para fazer uma turnê.

A faculdade acabou faz uns oito anos e ninguém vai largar tudo para fazer qualquer projeto fictício (nota: não estou falando de projeto nenhum aqui, porque realmente não lembro de nenhum) que vocês um dia tenham planejado. Simples assim.

Sempre pode ter aquele one-night-only (ou uma temporadazinha aproveitando o embalo) meio enferrujado de vez em quando. Só que não vai acontecer um “Beautiful world”.

And that’s ok.

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