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abr

Minhas férias (não precisam fazer sentido)

Tirei férias neste mês. Sim, outra vez. Meu irmão diz que eu tenho férias demais, mas é mentira. Eu tenho os mesmos 30 dias de qualquer outra pessoa normal com contrato CLT e sanidade de não vender 10 dias.

(Ok, também tive alguns dias a mais por conta do meu espírito cívico de trabalhar nas eleições. Mas isso não vem ao caso.)

Aí eu pensei “não vou ficar 22 horas no avião pra chegar na Austrália”, né. Que nada. Em vez disso, fiz nada menos que seis – SEIS – voos em meros 15 dias. Sério, acho que existe uma peça faltando que me impede de raciocinar quando estou organizando as minhas férias.

Desta vez, pelo menos, eu usei ajuda profissional. Sim, eu usei uma agência de viagens. Eu sei, eu sei – “quem precisa de agência de viagens com a internet e o tripadvisor?”. Bom, eu precisei e não me arrependo nem um pouco. Quando não existe um metrô saindo do aeroporto e a sua mala pesa 22 kg, não subestime a tranquilidade de ter um motorista com uma plaquinha com o seu nome esperando no desembarque. E eu já falei que foram SEIS voos? (sim, já falei.)

AVISO: Este post tem fotos de turista.

O primeiro voo foi Guarulhos > Buenos Aires. Nunca tinha ido pra Buenos Aires, e fiquei por lá menos de dois dias. Peguei um feriado prolongado (semana santa, e também o feriado das Malvinas por lá), então a cidade estava lotada.

(#funfact: O motorista que me levou do aeroporto até o hotel foi ao US Open no ano passado.)

Fiz meu habitual “vou andar pra sempre nessa cidade porque não quero pegar ônibus/metrô e odeio citytour”. Obelisco, Congresso, Avenida de Maio até a Casa Rosada, Calle Florida (ler: rua muvucada e em obras), Puerto Madero. Como a cidade estava lotada, todos os cafés e gelaterias estavam com fila/espera. Com espírito de trolagem, subi até a Torre de los ingleses porque é tipo o Big Ben (só que não), aí voltei pro hotel porque eu vesti a roupa de turista e fui no jantar/show de tango que você aparentemente não pode deixar de fazer (mas foi legal).

Dureza conseguir outros turistas pacientes para tirarem foto, viu.

No segundo dia, peguei um táxi até o Museo de la Pasión Boquense porque esse sim deveria ser obrigatório. (Tive que explicar no museu que eu torço por um time que não, não é nenhum desses que vocês conhecem. Mas ele já ganhou do River Plate, ok?)

Perguntei pro segurança do museu como eu podia voltar pra cidade de ônibus, aí saí andando por La Boca até cansar de lá e ir até o ponto de ônibus. Aí chega o ônibus que eu estava esperando e você super acha que está arrasando porque o motorista te cobra 3,50 pesos argentinos (o táxi custou 37)… até descobrir que só pode pagar com moedas. Oi? Sério? Tem certeza? Moço, eu só tenho 3 pesos em moedas (troco do táxi).

Sério, tem turistas no canto direito dessa foto.

Então acho que eu devo agradecer publicamente o motorista de ônibus gente boa que me deixou pagar os 3 pesos e não me forçou a tentar trocar dinheiro com os outros passageiros. Obrigada, motorista de ônibus.

Desci do ônibus e andei um pouquinho até chegar na Recoleta. Sim, também achei meio estranho visitar cemitério no meio da viagem de férias, mas aparentemente aquele labirinto de mausoléus é quase tão obrigatório quanto o jantar/show de tango.

Estou pensando seriamente em doar meu corpo para a ciência.

Ah, mas finalmente consegui comer em uma confeitaria tradicionalzinha na Recoleta (sanduíche de milanesa, muito bom), e depois consegui tomar um sorvete (doce demais) e comprar um alfajor. Então, ok, Recoleta me ajudou bastante na experiência obrigatória de Buenos Aires.

E ainda bem, porque eu tive que voltar para o hotel, arrumar tudo e dormir para acordar às 2 da manhã porque meu segundo voo era ridiculamente cedo. Aliás, esse voo foi basicamente horrível: longo, aviãozinho apertado e pouso de dar enjoo.

Mas tudo bem, porque Ushuaia é toda charmozinha. Ela se vende como “a cidade mais austral do mundo” (tem uns povoados/colônias mais ao sul, mas parece que é a última cidade mesmo). Teve uma hora no centrinho comercial/turístico que eu tive que aceitar que estava basicamente na Monte Verde argentina, mas Monte Verde não tem o Canal de Beagle com as cordilheiras ao fundo.

Quantas fotos de água e montanhas você pode tirar?

Como chegamos cedo à cidade por causa do voo ridiculamente cedo da LAN, deixamos a mala no hotel (antes do check-in) e corremos para o porto pegar um passeio de catamarã. Sério, eu estava com a meia de compressão que eu uso em aviões e com o casaco que me deixa parecendo grávida.

O barco passa em três lugares no canal: a ilha dos lobos marinhos, a ilha dos pássaros (cormorões – de longe, parecem pinguins magrelas e que voam) e o farol Les Éclaireurs. Existe um outro passeio de barco, mais longo, que vai até a ilha com os pinguins, mas eu não quis fazer. Calma, vai ter pinguins nesta viagem.

Esse lobo marinho aí atrás me faz parecer mais gorda?

Quando voltamos para a cidade, os quartos estavam prontos e eu fui dormir. E daí que era meio-dia e meia, eu estava passando mal de sono. E as lojas da cidade de Ushuaia fecham na hora do almoço e só reabrem tipo quatro ou cinco da tarde (aí ficam abertas até nove da noite), tá.

(Os verbos por aqui aparecem no plural porque um casal do Paraná fez os mesmos passeios que eu durante essa semana.)

Na manhã fria da terça-feira, fizemos o tour no Parque Nacional da Terra do Fogo. Sim, eu paguei o passeio tourist-trap do Trem do Fim do Mundo. Eu faço essas coisas quando estou de férias.

Acho que cobram caro para desperdiçar na calefação.

O parque é bonito, todas aquelas paisagens de lagos e montanhas que te fazem tirar fotos compulsivamente, e o tour foi bem tranquilinho, apesar do guia argentino meio louco. Se eu fosse planejar isso de novo (observação: não tenho planos de fazer isso de novo), procuraria um tour com mais hiking.

Montanhas e lagos

No último dia em Ushuaia, eu queria ir até o Glaciar Martial. Então pegamos um táxi até o Glaciar e… o teleférico estava fechado. Sério. Andei até a altura onde o teleférico chega, mas não fui mais até o gelo because I’m a chicken e não quis fazer isso sozinha.

Minha mãe disse que estou muito simpática nessa foto.

Tudo bem, ainda vai ter gelo nesta viagem.

Bom, a quarta-feira foi meu último dia em Ushuaia porque foi quando eu embarquei no último cruzeiro da temporada. Yep, cruzeiro.

A foto cafona obrigatória

Aí você me pergunta: “Mas, Lu, até o pouso do avião te deixa enjoada. O que você vai fazer em um cruzeiro?”. Pois é. Já falei que eu não raciocino quando planejo férias.

Mas é super legal. Mesmo. Mesmo com o navio balançando. Muito.

Não consegui comer direito no primeiro jantar. Na manhã seguinte, desembarque no Cabo de Hornos e eu estava super enjoada, com o navio balançando. Resumindo:

1) Eu animada antes do navio sair do porto.

Tinha um calafate sour envolvido

2) Eu passando mal antes do desembarque no Cabo de Hornos.

Essa é a minha cara de forte

3) Eu passando frio no Cabo de Hornos.

Estava ventando, gente

4) Cabo de Hornos, gente!

Eu e todos os turistas do mundo

Voltamos para o navio e adivinha se eu consegui comer direito no café da manhã. E no almoço. Mas tudo bem, à tarde teve desembarque em Wulaia.

A baía é bonita mesmo.

E me deram chocolate quente com uísque antes de voltar para o navio (ou seja: ainda em terra firme).

À noite, o navio já estava em um trecho mais tranquilo e eu consegui jantar direito \o/. Deu até para aproveitar o open-bar do navio com a terceira idade belga (teve bingo).

Álcool me faz dormir melhor

Também consegui tomar café direito. E almoçar direito. Eu fico tão mais feliz quando sou alimentada. Três dias em cruzeiro é pouco tempo, mas é muito estranho saber que você não pode ir lá na esquina comprar uma barra de chocolate. Eu estava contornando a vontade com álcool, digo, pegando todas as decorações de chocolate colocadas nas mousses e tortas que serviam de sobremesa. O álcool era só para eu dormir melhor com o navio balançando.

Na tarde do segundo dia, teve o desembarque para ver os glaciares.

Eu estava em um bote igual a esse aí atrás

Falei que ainda ia ter gelo. Sim, eu fiz a louca de botar a mão na água pra pegar o gelo e depois morrer tentando esquentar as mãos. Sim, fiquei com a pele das mãos ressecadas nas semanas seguintes com o frio dessa viagem. Sim, valeu a pena.

Enfim, esse bote aí atrás é o tipo de bote que a gente usava nos embarques/desembarques. Acho que isso explica em parte porque eu não estava twitpicando as férias: cuidar de uma câmera já era trabalho suficiente.

A outra explicação é que eu não comprei chip vodafone desta vez, então fiquei sem internet no celular (exceto wi-fi de hotel). Ah, não tem sinal de celular ou internet nos três dias de cruzeiro. Não, eu não fiquei louca.

Na última noite no navio, teve discurso do capitão, rifa da bandeira do navio e leilão da carta de navegação (eu estava capotada de sono no sofá do bar – culpo o álcool). Nos horários em que a gente está no navio e não tem refeição servida, eles tentam distrair com o bar, digo, com “palestras” e documentários. Pulei os documentários (porque estava enjoada, mesmo com remédios), mas as apresentações eram úteis porque explicavam onde seriam os desembarques e como a gente deveria fazer.

Na manhã seguinte, o navio voltou a balançar, nível as-garrafinhas-de-água-caíram-da-mesinha-na-minha-cabine. Saí de novo muito enjoada para o desembarque na Ilha Magdalena, mas não perderia isso de jeito nenhum por motivo de: pinguins.

(são diferentes dos little penguins australianos)

Pinguins!

Ventava tanto que eu nem estava enjoada a essa altura

Não falei que ainda teria pinguins nessa viagem? (Sabe o que mais ainda teria nessa viagem? Sol! Calor!)

O tempo estava complicado nessa manhã, ventando muito. E choveu quando o bote estava voltando pro navio. Depois, ficamos quase três horas esperando o porto de Punta Arenas reabrir (por causa do vento!) para encerrar o cruzeiro.

Fiquei só algumas horas em Punta Arenas, entre o desembarque do cruzeiro e o embarque no avião para Santiago. Vento, chuva, granizo, sol, chuva, sol, chuva, sol. Mas o voo foi surpreendentemente tranquilo e até confortável (mais que o de Ushuaia, pelo menos).

Passei a noite em Santiago, devorando no quarto do hotel as sobras do serviço de bordo (obrigada, LAN). Na manhã seguinte, estava de novo no aeroporto, embarcando para… Ilha da Páscoa.

Não sei o que fui fazer na Ilha da Páscoa. Realmente não sei. Meio que um dia achei que queria ir e comprei o pacote. Um dia você tem uma ideia, e no outro acontece isto aqui:

Cortesia do pessoal do traslado

Cheguei na Ilha da Páscoa na tarde de um domingo. O pouso é muito estranho, porque não tem nada além do Pacífico na janela… até aparecer uma ilha. E só.

É o aeroporto mais quente que eu consigo me lembrar, ganhando até do de Vitória. O hotel ficava fora do único povoado da ilha (mais ou menos 25 minutos de caminhada), mas a vista era maravilhosa. No restaurante, dava para ver o sol se pondo no Pacífico durante o jantar (sim, a diária incluía jantar porque o hotel fica fora do povoado).

Passei minha primeira tarde na Ilha da Páscoa… cortando as unhas #tmi. É, eu sei, mas estava realmente precisando. Fora que eu não tinha nada programado para o domingo, e não sabia onde ficava o povoado.

Na segunda-feira, fiz de manhã o primeiro tour. Em Orongo, você finalmente consegue lembrar qual era a história do filme “Rapa Nui”…

Motu Nui, Motu Iti e Motu Kao Kao

… mas aí se empolga muito mais com o lago na cratera do vulcão Rano Kau. Porque é enorme.

Sério, gente.

Almocei em Hanga Roa, o povoado da ilha. O restaurante ficava na “praia”. E tocou Michel Teló, claro.

Depois fui andar pelas ruas principais (e dei uma volta mais longa do que o planejado em uma rua atrás da rua principal). A impressão é de que que pegaram uma cidadezinha do interior e transplantaram pra uma ilha no meio do Pacífico.

À tarde, fiz o segundo tour do dia. A parte mais popular é Ahu Akivi, uma plataforma restaurada de moais que fica no interior da ilha (todas as outras plataformas ficavam na costa).

(onde eu estraguei a foto de vários turistas dando a volta por trás da plataforma)

Na terça-feira, fiz o tour longo de dia inteiro. Começamos no lugar mais legal da ilha: Rano Raraku, onde os moais eram esculpidos e onde eles sobraram, abandonados, como que rolando vulcão abaixo.

Moais vulcão abaixo

A cratera do vulcão também tem um lago (menos impressionante que o do Rano Kau).

Qual lago de cratera de vulcão me deixa mais gorda?

(#funfact: Estava chovendo quando eu subi até o lago. E eu tinha acabado de reaplicar filtro solar nessa foto, então tinha excessos até no meu nariz.)

Saindo do Rano Raraku, fomos para o segundo lugar mais legal da ilha: Ahu Tongariki, plataforma restaurada com os impressionantes 15 moais.

Mal dá pra ver, mas tem pessoas minúsculas na frente dos moais.

Depois teve mais plataforma não restaurada (confissão: não sabia que todos os moais haviam sido derrubados nas guerras tribais). E teve a tal pedra do Umbigo do Mundo (Te pito o te henua), que eu suspeito que não significa absolutamente nada mas que serve para você tirar fotos inevitavelmente ridículas.

It kicked!

O tour acaba em Anakena, a maior praia de areia da ilha. Sim, eu coloquei o pé na água. Até a canela. Não, eu não tenho foto.

Dá pra ver esta praia do avião na decolagem

Quarta-feira era meu dia livre na ilha. Eu queria ter feito o passeio de barco, mas o tempo estava meio instável e a empresa não fez passeio naquele dia. Então eu saí pra andar, vi o museu e os moais que ficam por perto de Hanga Roa. Incluindo o moai com olhos, que eu acho medonho.

Ahu Ko Te Riku: it's totes watching you

Embarquei para Santiago na quinta-feira. O voo é longo, e cheguei em Santiago só de noite. Na verdade, tive só um dia (a sexta-feira) em Santiago, então não vi muita coisa por lá.

Comecei pelo Cerro Santa Lucía, que era bem perto do hotel. Minha irmã tentou me convencer a ir até o Cerro San Cristóbal, mas eu estava com cansaço de fim de viagem.

É aquele ali atrás?

Dei um perdido (confissão: me perdi) até achar um restaurante na Lastarria, e depois fui até a Plaza de Armas, que estava uma muvuca (aparentemente, sempre é uma muvuca), passando rapidinho pelo museu histórico (que é bem legal, mas eu o tempo estava curto).

Fui correndo até o palácio presidencial (La Moneda), onde eu tinha tour agendado (você precisa enviar e-mail umas duas semanas antes e preencher formulários) e onde eu fiz a foto mais legal do passeio na cidade.

Agradeço ao turista que conseguiu fazer esta foto mesmo sem flash

Jantei no Subway pra economizar pesos chilenos, e aí gastei o que sobrou tomando sorvete (o melhor da viagem). Aí chega, né?

Bom, mais ou menos. Mudaram o horário do meu voo de volta (#fact: a LAN mudou o horário de QUATRO dos seis voos da reserva), aí a empresa do traslado mudou o horário do motorista e não me avisou. Então eu passei a última manhã da minha viagem usando o telefone do concierge do hotel pra brigar com a empresa do traslado. Nice.

Fora isso, o voo veio direitinho pra cá. Meus pais foram me buscar no aeroporto. Tinha comida quente da minha mãe quando eu cheguei em casa. Só falta uma parcela para eu terminar de pagar a viagem. E eu tinha mais duas semanas de férias em casa (a primeira já passou), antes de voltar para o trabalho.

Nos vemos segunda que vem, vida real.

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