01

maio

Confissão #39: eu joguei fora aquela sua foto

Sempre tive fama de bagunceira aqui em casa. Quando dividia o quarto com a Leda, a metade arrumada era a dela. Sim, eu julgo a sua bagunça, mas de tempos em tempos as minhas coisas ficam tão desorganizadas que eu fico angustiada de ver (então eu jogo tudo dentro de uma sacola/caixa/envelope e guardo isso dentro do armário/gaveta para não ver mais).

Por falta de vontade, digo, por falta de tempo, passei pelo menos dois anos sem uma Grande Arrumação Periódica. Dois anos de puro hoarding. Maaaas em fevereiro meus pais começaram a arrumar algumas coisas no quartinho dos fundos, e eu prometi que olharia a minha parte em abril. Quando voltasse da viagem de férias. E, para a surpresa de todos, eu cumpri a promessa.

Não vou entrar em detalhes porque já cometi a maldade de fazer o livetweet da coisa toda. Roupas passadas para a frente, gaveta de camisetas caprichada. Depois, foi a vez da estante de livros. Das tralhas que ficam nas prateleiras do guarda-roupas.

Mas acho que um momento importante foi quando eu peguei a caixa de fotos velhas que estava na gaveta que fica embaixo da bicama. Eu joguei aquilo fora. Não TUDO aquilo, mas quase tudo. Rasguei as fotos e picotei negativos como se fossem fotos de ex-namorados (nota: não eram). Fotos mal tiradas de pessoas que eu nem lembro direito. Fotos nem um pouco favoráveis. Sei lá, fotos sempre foram uma coisa que representavam memórias que eu deveria guardar, e de repente…

Depois disso, foi muito mais fácil me desfazer de tudo. Quando peguei a pilha de coisas do quartinho dos fundos, comecei uma produção assustadora de lixo reciclável. Apostilas da época de colégio, xerox da época da faculdade, textos da época do mestrado. Cópias extras de jornais-laboratório e de eventuais trabalhos impressos.

Também foram para a coleta seletiva recortes e recortes de jornal sobre qualquer assunto que me interessava na época. Essas coisas agora estão na internet, eventualmente arquivadas no meu pocket.

Dessa história toda, sobraram uma caixinha com memórias que eu ainda quero guardar, uma pasta lotada de lembranças de viagens e três caixas de escritório com documentos e textos. 29 anos selecionados, organizados e encaixotados.

Mas eu ainda tenho isto aqui.

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