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maio

Confissão #40: eu rejeitei “Buffy” por quatro temporadas

Você pode encontrar muitos temas em “Buffy the Vampire Slayer“, mas um dos mais conhecidos é a metáfora sobre adolescência. E “Buffy” começou em 1997 – bem a tempo de acompanhar a minha adolescência, especialmente no colégio. Só que isso não aconteceu.

Eu rejeitei “Buffy”, antes mesmo de assistir. Durante quatro temporadas. Foi só na faculdade que Buffy e eu nos entendemos.

Era um semestre morto no curso de Jornalismo. Tinha janelas o suficiente para programar as optativas, e nenhum laboratório para te segurar por lá. Para completar, eu ainda não estava nem um pouco no modo “ECA é minha casa”. Eu só queria voltar para a minha casa, a de verdade, e o mais cedo possível.

(Preciso mencionar que a Buffy não se adaptou muito à faculdade?)

Foi naquele semestre que eu consegui voltar para casa no fretado do meio-dia, quase todos os dias. Quando chegava em casa, almoçava na frente da TV. E a Fox estava reprisando naquele horário a quinta temporada de “Buffy”, que ainda hoje é a minha preferida. Eu ainda tenho dificuldades de não chorar e soluçar e ficar com os olhos inchandos quando vejo aquela cena de “The Gift”.

Depois disso, assisti o resto da série daquela forma desorganizada típica da era pré-torrent. Meu grau de ansiedade por episódios novos era comparável aos velhos dias de “The X-Files” – essa sim me acompanhou durante o colégio.

Quando a sétima e última temporada chegou, eu já era adepta da experiência ecana, daquelas em que você passa tanto tempo por lá que nem percebe que já é natal ou que o chão está sujo então você não deveria sentar e muito menos deitar aí. E o semestre tinha Claro!, com direito a fretados das 23:00 em noites de fechamento.

Na véspera de um fechamento, alguém que estava no Labri ligou na minha casa-casa.  Era sobre algum gráfico que tinha surgido naquela hora, e que eu precisaria adiantar em casa e levar o arquivo no dia seguinte já meio encaminhado.

Olha, você pode me ligar daqui a meia hora? É que está passando “Buffy”…

Era 2003. A ECA era a minha casa. Buffy era minha amiga. E a boca do inferno está aberta debaixo da escola, mas tudo ficará bem.

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