14

jun

Fora da medida

Não acredito o suficiente em nenhuma causa, e nunca concordo com o desenrolar de um movimento. Manifestações são uma coisa de multidão, e multidões não são bem a minha coisa.

Mais aí que ontem eu rejeitei toda a possibilidade de ser produtiva para acompanhar o que acontecia na rua, na TV, na TL. Não acredito o suficiente em nenhuma causa, e nunca concordo com o desenrolar de um movimento – isso não mudou. Mas daí pra achar que tudo bem, que era para ser assim mesmo…

E talvez eu não devesse me surpreender que uma pesquisa perguntou para 815 pessoas se manifestantes e policiais são violentos “na medida certa”.

Opinião da população sobre protestos contra aumento da tarifa

“Com licença, senhora, pode responder uma pesquisa? É rápido, só uma perguntinha. A senhora acha que o seu marido é violento na medida certa?”

Isso pressupõe que existe uma medida certa de violência. E eu posso não viver em um mundo sem violência, mas acho que ainda posso viver em um mundo em que ela não pode ter medida certa. Bom, achava. Podia.

Acho que tem um pouco a ver com rótulos. Eu sempre acho que tem a ver com palavras, porque eu preciso achar que palavras importam. “Inimigo”. “Soldado”. “Manifestante”. “Policial”. “Outro”. Rótulos são úteis e podem ser precisos (e também podem ser necessários), até que em algum ponto se perde de vista que são pessoas. Mas se você perde de vista que são pessoas, qual é o sentido?

E eu nem gosto de pessoas. Pessoas, como multidões, não são bem a minha coisa. Depois desses últimos dias, eu sinto que gosto até um pouquinho menos de pessoas. Então se eu gosto mais de pessoas do que você, existe algo muito errado acontecendo.

Eu não vou sair na rua. Eu não acredito em nada, eu discordo de tudo e multidões não são bem a minha coisa. Tudo sempre sai da medida.

Mas eu ainda acho que não existe medida certa para destruir ou para agredir. Já é alguma coisa.

 

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