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jul

“Mas você não tem cara de quem ouve Hanson”

Não sei interpretar se é uma coisa boa ou ruim que pessoas ainda se surpreendam quando ouvem sobre o último ou próximo show estranho que eu coloquei no cartão de crédito. A frase “Vou/fui ao show do Hanson” gera três perguntas, na sequência: 1) Você está falando sério? 2) Eles ainda existem? 3) Como são as pessoas que vão ao show do Hanson?

As respostas, respectivamente, são: “sim”, “sim” e “ah, são pessoas como eu”.

Assim, mais ou menos como eu. Eu não sou aquela menina chorando a maquiagem dos olhos quando Hanson começou a tocar “Weird” (eu sou a menina de tênis velho que  já empolgou no “Fired up”), por exemplo. Não era aquela menina que fez milhares de estrelinhas de origami ou escreveu cartaz com metros e metros de papel no auge da paixão mmmbopiana (até porque eu não ligava muito pra Hanson em 1997). Não sou aquela menina que pode ou não ter estudado comigo no colégio (provavelmente não, né?).

Mas acho que a maior parte de nós éramos aquela menina que ouve Hanson faz mais do que metade da vida, e que sentia uma pontinha de pânico cada vez que o Taylor Hanson lembrava que estamos fazendo esta mesma coisa faz 16 anos. O que você quer dizer com isso, Taylor? Você está dizendo que eu tenho mais do que 16?

No dia seguinte ao show, ouvi esse “Mas você não tem cara de quem ouve Hanson”. Avança mais quatro dias, e foi quando eu percebi que já estou incomodada com um aniversário que ainda demora mais de um mês pra chegar. Avança mais cinco dias e eu ainda estou tentando escrever um post. Não sei bem do que eu tenho cara. Não sei bem do que eu queria ter cara.

(Ok, sei que não quero ter a cara de quem chora a maquiagem dos olhos com “Weird”.)

O que eu percebi foi que todos aqueles shows que eu queria ver quando tinha 16 anos estão acontecendo só agora. O que é bom, porque agora eu posso comprar o ingresso, eu tenho onde ficar. 2013 ainda tem Matchbox Twenty e Bon Jovi, e provavelmente eu tenho cara de quem ouve essas duas bandas porque isso é uma coisa muito mais genérica.

Mas eu tenho cara de quê?

 

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