12

ago

03/30

Aquilo que eu falei sobre envelhecer e seu corpo ficar cada vez menos cooperativo? Tudo verdade. Mas tem uma ponta de adolescência que não quer ir embora: minha pele.

Ano passado, quando minha irmã fez 30, eu dei de presente pra ela um anti-idade d’O Boticário. Tinha um pouco de brincadeira, mas ela acabou gostando e comprou o resto dos produtos da linha. Eu? Eu não tenho nenhum plano de migrar porque tenho essa impressão de que um anti-idade vai deixar minha cara horrivelmente oleosa.

Sim, eu sou daquelas pessoas que passou mais da metade da vida com espinhas na cara.

Na verdade, eu acho que minha pele está ótima. Assim, comparando com minha-pele-como-eu-sempre-a-conheci. Sempre que uma manchinha de espinha começa a clarear, nasce um monstro vermelho novo na minha cara – tem um dando as caras na minha bochecha direita neste momento –, e mesmo assim eu acho que está tudo muito bem.

Aliás, eu me esforço horrores pra manter minha pele adolescente do jeitinho que ela está, espinhas e tudo (mentira, disso eu não faço questão, e elas vêm não importa o que eu faça). Lembra quando eu estava de mau humor de dividir o banheiro de casa? É porque minha rotina pré-cama é um absurdo.

Sim, eu vou descrever aqui tudo o que eu faço antes de dormir. Por favor, vá embora.

Eu começo com o fio dental. (Aliás, comece lavando as mãos. Por favor.) Até uns anos atrás eu morria de preguiça, mas você só precisa fazer isso uma vez por dia. Faça isso uma vez por dia. E enxágue.

Depois do fio dental, vem a escova de tufo único. Aconteceu o seguinte: eu perguntei pro meu dentista se ele recomendava uma escova elétrica, e ele respondeu “Olha, é melhor que você use uma bitufo”. Já que eu pedi a opinião da pessoa graduada e pós-graduada, achei justo seguir. De novo, enxágue.

Aí vem a escova de dentes regular, com pasta de dente. Me disseram que escova com limpador de línguas é frescura e que você pode usar as próprias cerdas da escova para isso, mas limpador de línguas é tão melhor. Pra começar, não dá aquela sensação de que você vai vomitar. Eu passo o limpador até nos lábios.

A essa altura eu finalmente começo a lavar a cara. Na verdade, eu começo lavando os olhos (porque eu tenho uma coisa chamada blefarite e lavar a sobrancelha e os cílios duas vezes por dia impede que meus olhos comecem a arder e eventualmente caiam) com shampoo Johnson (existem produtos específicos de blefarite, mas shampoo Johnson é barato e meu oftalmologista disse que era suficiente).

Aí eu lavo o rosto. Com algum sabonete específico. De vez em quando, com o sabonete que tem AHA. Não sei se isso vale como auto-medicação. Eu pedi conselhos para dentista e para oftalmologista, mas não para dermatologista. Se o sabonete não é o que tem AHA, eu completo com o adstringente. Eu tirei essa informação da minha cabeça. Não siga isso.

Nessa hora eu quero deixar o adstringente ser absorvido ou secar (ou os dois) e vou fazer hora tomando água. Eu acho que não devo tomar água imediatamente depois de escovar os dentes, mas sei que não é para tomar água depois do enxaguante, então essa parece ser uma boa hora.

Eu aproveito que fui pra cozinha buscar a água e levo meus óculos e minha plaquinha (eu durmo com uma plaquinha acrílica para proteger meus dentes e a articulação da mandíbula – a plaquinha fica destruída) para colocar detergente. Volto equilibrando as gotas de detergente nos óculos e na plaquinha para lavar direito na pia do banheiro (não, eu não lavo essas coisas por cima da louça).

Aí eu uso o enxaguante bucal, se for dia de enxaguante bucal (sem álcool e sem corante, porque eu acredito na publicidade). A internet me disse que talvez não seja o ideal usar enxagante bucal todos os dias porque não é pra você matar todas as bactérias que te chamam de lar, então eu alterno. Isso não é consenso, mas eu preciso escolher uma opinião.

Enquanto estou fazendo o bochecho (bochecho, e não gargarejo – é para os dentes, não para a garganta!), pego a escova da plaquinha e lavo com aquele detergente. Plaquinha vai para a boca e eu declaro encerrada a parte dental da coisa.

Mas ainda não acabou a parte dermatológica da coisa.

Eu tento ser uma pessoa razoável que não acredita em coisas como horóscopo, deus e homeopatia, mas eu acredito em um óleo de rosa mosqueta que eu comprei quando fui pra Austrália e que agora eu realmente importo pelo correio. Pagando em dólar australiano. Com frete. E eventualmente tendo que pagar imposto nos correios.

Na verdade, eu tenho dois óleos: o de rosa mosqueta puro e um outro da mesma empresa que mistura o óleo de rosa mosqueta com outros óleos vegetais e que tem um marketing mais anti-idade. Esse segundo óleo eu uso nos dias do sabonete com AHA. Não me pergunte, não tenho nenhum argumento científico. Eu só faço isso.

Mas os óleos vêm no vidro. Com conta-gotas. Eu vou fingir que é ciência.

Aí eu preciso esperar o óleo absorver (até porque é para passar o óleo na pele úmida, então preciso pelo menos esperar aquilo secar). Dou uma enrolada. Quando acho que está bom, passo o hidratante.

Sim, eu passo o óleo e depois o hidratante.

Às vezes nem é só isso. No dia do sabonete com AHA e óleo anti-idade, eu também passo um pouquinho do soro facial caro da mesma marca (veio de brinde) perto dos olhos. Aí pego mais um pouquinho desse soro e misturo com o hidratante facial (da mesma marca) para passar no resto da cara.

Aí eu finalmente pego uma pontinha da pomada da mesma marca (sim, eu tenho problemas) e passo nos meus lábios.

E aí eu penso “uau, nunca vou envelhecer”. E durmo tranquila.

Eu nunca vou envelhecer.

só um comentário

  1. Sheila disse:

    Sobre as espinhas, uma palavra: Roacutan

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