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ago

04/30

Quando eu era jovem e inocente, eu tinha essa ideia besta de estudar jornalismo e ser jornalista e nunca ter um dia igual ao outro. Só que isso, para começar, é mentira.

Jornalista também acorda e escova os dentes (espero) todos os dias, vai pro trabalho, reclama do trabalho, faz a parte insuportavelmente chata do trabalho, passa muito tempo no telefone, escreve coisas que nem saem boas como costumava escrever uns anos atrás, tenta convencer o relógio a ir mais rápido – e depois a ir mais devagar, porque não vai dar tempo! –, pega trânsito, vai pra casa.

(Alguns jornalistas acordam, procuram emprego, se preocupam com as contas e consideram a possibilidade de dar golpes pela internet.)

Todo janeiro tem enchente, todo São Remo tem Riacho Doce, todo ano tem disco da Rihanna. Tudo causa câncer, café pode ou não estar te matando, e estudos apontam que ninguém está lendo esta frase aqui.

Pior mesmo é quando você começa a desejar por dias iguais. Dias iguais àqueles do começo de julho, quando eu conseguia terminar de fazer o que tinha planejado para o dia, quando o telefone não ficava tocando, quando os problemas não ficavam me visitando. Não quero uma encrenca nova por dia, quero a mesma encrenca durante uma semana!

Mas o problema de dias serem iguais e você fazer a mesma coisa por muito tempo é que de repente você percebe que sua rotina já representa uma porcentagem enorme da sua existência. Quando eu entrei na USP em 2001, não percebi que na verdade a USP é que estava entrando na minha vida. Fiquei só um ano realmente afastada (2006, saudades!).

Já passei da metade no meu 12º ano de USP. É mais de 40% da minha vida.

Eu me formei na ECA faz 7 anos e meio. Perto de 25%. Parece que foi ontem. Um ontem meio distante.

Já passei de três anos no IAG. Uns 11%.

De vez em quando isso me dá muito pânico. Pessoas fazendo a mesma coisa desde antes de eu nascer. E, caso alguém tenha esquecido, eu nasci faz muitos anos.

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