19

ago

10/30

Não ter dinheiro, obviamente, é pior do que ter dinheiro. Mas ter que se preocupar com dinheiro é um sintoma que só vai piorando.

Quando eu era criança, durante as férias, meu pai dava ficha do bar da colônia. Era uma ficha por dia, e você escolhia o que fazer com ela. Não dava para comprar um refrigerante, um chocolate e um sorvete – você precisa escolher.

Um pouco depois, ele começou a dar algum dinheiro por semana. Tipo dinheiro do lanche. Mais pra frente, a gente começou a ganhar mesada. Mesada era ótimo, dava para comprar revistas e CDs e várias coisas agora ultrapassadas, mas que eu gostava bastante na época. E sabe o que era bom mesmo? Reajuste na mesada – sim, isso acontecia.

Claro que as mesadas eram modestas, mesmo depois do reajuste. Coleções de CDs foram construídas mês a mês, porque não dava para comprar a discografia completa de uma vez só. (É, eu deveria ter gastado tudo em chiclete.) Mas era um dinheiro que eu ganhava sem fazer nada, e quando sobrava (de vez em quando sobrava!) eu colocava na conta de poupança e achava que aquilo ia se multiplicar até virar a caixa forte do Tio Patinhas.

Era bom.

Agora eu sei que aplicação nenhuma está rendendo dignamente, e que eu nunca vou aposentar. Uns dois anos atrás, eu cheguei a fazer conta de quanto tempo eu tinha que trabalhar e quanto eu teria que economizar para poder largar essa vida de acordar cedo, mas era claramente impossível, mesmo que minha vida fosse horrível. Então eu larguei essa ideia e tirei férias.

Foi bom.

Fazer contas é sempre um pouco triste. Lidar com bancos é um inferno (e eu sempre viro a vaca do atendimento telefônico). Mas eu provavelmente não poderia viver muito bem com uma ficha de bar por dia.

Bom mesmo é ter VR.

Deixe um comentário