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Adotamos a Mia faz pouco menos de 4 anos. Foi em novembro de 2009, quando eu ainda fazia mestrado com bolsa Capes e não trabalhava no IAG. Encontramos a Mia em uma feira de bichinhos de um abrigo, no estacionamento de um supermercado. Ela era minúscula, assustada e com o coração batendo acelerado quando o voluntário da feira colocou ela na minha mão. Minha mãe e meu pai insistem que ela era feinha, mas eu lembro de mandar fotos dela para o mundo, toda feliz e orgulhosa.

A Mia chegou em casa em um sábado. No domingo, tivemos que levar para o plantão do veterinário. Naquelas primeiras semanas, tratamos de pulga, verme, virose, conjuntivite e ácaro nos ouvidos. Mia estudou comigo para TOEFL e para o concurso no IAG. Quando ela finalmente estava melhor, a micose também ficou forte. Um mês depois de adotar a Mia, fiquei com feridas horríveis nos braços e nas pernas — fui eu ao dermatologista e ela ao veterinário.

Depois que eu virei uma pessoa responsável e trabalhadora, a Mia desencanou de mim. Ela agora gosta mais da minha mãe. De vez em quando, gosta mais do meu pai. Comigo? Me faz de gato (e) sapato. Quando não quer dormir sozinha, mia na porta fechada dos meus pais — mas aceita o meu cobertor. Quando chega a manhã, mia pela minha atenção porque é o que tem pra hoje. Agora, veio comigo no sofá porque meu avô está na poltrona que ela gosta. Veio, roubou meu abrigo de lã e agora está aqui do lado cumprindo sua função de ser bonitinha.

Os gatos que eu tive quando era criança eram livres, como a música. Se machucavam, fugiam. Um foi atropelado, outra foi envenenada. Mas não é assim com a Mia.

Mia já tem uns 4 anos. Se apodera de todos os espaços da casa. Dorme no meu cobertor. Precisa de atenção quando acorda. Precisa de companhia quando vai para a garagem. Come camarão de vez em quando.

Às vezes, quando vai para a garagem com sua coleirinha, fica parada olhando para fora da grade. Na minha imaginação, Mia imagina a vida que não foi. Livre, como a música. Sem coleira, sem grade, sem gente que chega em casa, pega no colo e fala com ela como se fosse um bebê.

Às vezes a gente abre mão de algumas coisas.

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