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21/30

“Workplace Alzheimer”, definiu o Denis.

Eu entendo que, supostamente, não deveria ficar vendo outras coisas enquanto trabalho. Mas tem coisas que você precisa resolver em horário comercial. Telefonar para o banco? Esqueci, passou batido, em 4 dias seguidos. E mesmo coisas que não dependem de horário comercial pelo menos servem para quebrar um pouco o ritmo. Mandar e-mail? Dois dias, fácil.

Ontem eu quase esqueci que tinha que ir embora!

Workplace Alzheimer é quando você não consegue lembrar do resto da sua vida enquanto trabalha. Um dos sintomas é não conseguir lembrar que você tem um resto de vida. Durante 8 horas diárias + aquela hora em que você engole comida, você só precisa terminar esta coisa. E depois aquela outra coisa. E atender o telefone. E você pode vir agora na portaria, ou na minha sala, ou no auditório?

Supostamente, era para ser assim. É para isso que você está lá, certo? O problema é que na segunda-feira você fica incomodada. Na terça, cansada. Na quarta, exausta. Na quinta, não sabe mais que dia da semana é e começa a avaliar se é possível encaixar meia hora de choro em uma daquelas oito horas. Na sexta, percebe que  semana vai acabar e você ainda não terminou nada e sua mesa está uma bagunça e você não sabe bem qual dos itens escolher para deixar em cima do teclado para ser a primeira coisa da segunda-feira que vem.

Trabalhando? Sim, sem parar. Produzindo? Aí já é discutível.

A coisa que mais deu certo pra mim no trabalho foi uma técnica de produtividade questionável chamada Pomodoro. Eu pensei que o que mais ajudava era a unidade de tempo, mas agora estou achando que o essencial do Pomodoro era o break ao final de cada unidade de tempo. É durante o break que você escreve aquele e-mail, faz aquele telefona, dá uma olhada naquele feed (esquecido faz duas semanas) e descobre se hoje teve ou não russice.

Na faculdade, o Ivan chamava de “crédito-ócio” — porque nem toda janela precisava de uma optativa.

Supostamente, você deveria se ocupar. Deveria cumprir os créditos. Deveria trabalhar. Toda essa aversão ao break, à siesta, ao (crédito-)ócio. Mas é no espaço negativo que eu existo de verdade.

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