02

set

24/30

Lá no primeiro post desta série, eu mencionei que minha crise de vida adulta incluía a compra de um “conversível (não exatamente)”. Bom. Eu comprei um imóvel.

Considerando a experiência de outras pessoas, acho que nem foi tão ruim. Dei o primeiro passo em abril, quando voltava das férias. Visitei cinco apartamentos. Fechei na oferta pelo segundo. Financiamento saiu no tempo certo e nos termos esperados. O documento voltou hoje do cartório, com o meu nome (e o do banco).

Não que tenha sido tudo perfeito. O corretor mandava todos os links errados pelo e-mail, o primeiro apartamento não tinha nada a ver, o primeiro que eu fiz oferta não deu certo, fiquei uns dias irritadas com a imobiliária, fiquei muitos dias reclamando do banco, briguei com a gerente do outro banco no processo, perdi noites procurando, perdi sábados visitando e tive que correr e compensar no trabalho porque algumas coisas dependem do horário comercial.

Mas, pronto, essa parte da história está resolvida.

O que não significa que eu esteja fazendo as malas e encaixotando os livros. Minha mãe me disse que estava feliz por eu ter para onde ir, e eu respondi que estou feliz de não precisar ir pra lugar nenhum neste momento. Porque daqui a alguns dias (ainda tem prazo) eu vou pegar as chaves do apartamento, mas eu não tenho nem guarda-roupa, nem batedeira planetária (algum dia eu já escrevi que adoro batedeiras planetárias sem nenhum motivo?).

Mas eventualmente vão se acabar as desculpas e vai chegar a hora. Aliás, meu pai diria que a hora era 5 anos atrás — ele tinha inventado um limite de 25 anos pra gente. E metade da verdade é que eu estou realmente morrendo de saudades de ficar sozinha (isso acabou quando meu avô se mudou para cá), e metade morrendo de medo de me desmanchar no futuro sofá da minha futura casa.

É o Pax. G-23 Paxilon Hydrochlorate.

Também estou ansiosa pra descobrir todas as cretinices que eu vou adotar quando a vida for realmente minha e não mais a minha-vida-na-casa-dos-meus-pais (sorvete na janta? final de semana inteiro de roupão? episódio de #hoarders?), e assustada com a ideia de ter que comprar luminárias.

Imaginando como será encontrar uma nova gatinha (uma que não me odeie, pra variar) e como será ficar sem a Mia (sim, ela vai ficar), mesmo que ela me odeie.

E estou ainda meio sem entender. Sem entender o que estou fazendo, sem me dar conta do que fiz. Agora eu tenho um pouco mais de noção de que um apartamento não é nem um pouco definitivo, mas continua parecendo ridiculamente definitivo mesmo assim. Até abril, eu sempre adiei essa ideia besta porque ter um imóvel significa dizer “é aqui que eu vou morar, é aqui que eu vou trabalhar, e esta é a minha vida”. Talvez eu devesse ter comprado o conversível (se soubesse dirigir).

Esta é a minha vida. Como foi que isso aconteceu?

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