08

set

30/30

Em algum momento da tarde, comendo sobremesas de ontem e depois de ter dado algumas patadas gratuitas sem pensar muito no assunto, sentei e comecei a ouvir meu padrinho contando vantagem, digo, contando histórias sobre a adolescência dele. Até que ele parou e acusou a gente (os filhos da geração dele) de ficar com o nariz no computador/celular/TV e não ter aproveitado a vida. Algo curioso, considerando uma pequena anedota interna sobre a filha dele “só querer saber quando é que ia poder ir ao shopping sozinha”.

Fico cansada quando resolvem atacar esta geração que envelhecendo comigo. Afinal, nós ainda somos jovens demais para termos feitos os grandes estragos que estão fodendo a vida de todo o mundo, mas somos crescidos o suficiente para não causar tanta vergonha alheia no instagram feito esses adolescentes de 15 anos. A questão de gerações é a seguinte: nós tivemos motivos, e as outras sempre são piores.

Idade sempre é parte da sua identidade. Não adianta se você é daquelas que se acham flapper de 1920, se você finge que 1980 foi sua adolescência (e não sua infância), ou se você jura que se comporta como alguém de 15, 50 ou 95 anos — não dá para lutar contra todos os elementos externos. Meu pai acompanhava a minha mãe até a casa dela depois da aula e voltava a pé para a república porque não tinha mais ônibus. A gente tem transporte indo até mais tarde e mais carros nas ruas e nas mãos, mas adaptamos tudo à segurança (ou falta dela).

O que eu quero dizer é que hoje foi um domingo bem comunzinho. Meu pai me acordou para ver a corrida (alguém no mundo lamentou que F-1 mesmo era nos tempos de algum piloto morto; eu jurei que livetiming no site é onde a ação acontece), me disse parabéns. Minha mãe passou pela sala, me disse parabéns. Meu avô se esqueceu, mas tudo bem porque ele tem 95 anos. A Mia estava já na garagem e me ignorou.

Algumas pessoas me falaram parabéns por telefone, e-mail, whatsapp. Eu ouvi NKOTB cantando “Happy Birthday to You”, em nome da tradição. Meus padrinhos passaram aqui, me desejaram felicidades no que me resta de vida.

Enfim, um domingo de aniversário sem nada especial.

Mas agora, cada vez que me perguntarem quantos anos eu tenho, a resposta será “30”. Em cada formulário que eu preencher, minha idade será “30-39” ou qualquer coisa assim. É uma coisa que vai me pegar o tempo todos nesses próximos meses.

Idade é parte da sua identidade, e a minha agora indica que eu tenho 30 anos. Continuo não muito feliz com isso, mas a verdade é que eu não ando muito feliz com várias coisas.

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