23

set

Confissão #41: eu estraguei o show pra outra fã

Em algum lugar, alguém está reclamando para todos os amigos sobre aquela puta menina vaca que estragou o show do Bon Jovi. Eu pediria desculpas. Mentira. Eu não peço desculpas.

Deixa eu começar dizendo: show do Bon Jovi não foi felicidade plena. Não que eu me arrependa de ter ido, e é sempre bom quando minha irmã vai comigo (além de me dirigir e hospedar como sempre). Mas simplesmente não foi bom como o de 2010.

Os dois foram no Morumbi, o que exige muita boa vontade da minha pessoa. Não tem estação de metrô perto e é praticamente impossível conseguir um táxi na volta. Você (minha irmã no caso) para o carro na putaqueopariu porque 1) é onde ainda tem vaga, e 2) se você parar mais perto, não vai conseguir ir embora no mesmo dia. O banheiro (fixo ou químico) é horrível. Galera fica cantando hino de time de futebol na saída.

(Sério, acho que vou baixar uma portaria me proibindo de ver shows que não aconteçam no Espaço das Américas.)

Não vou ficar apontando que ah não tocou aquela música velha, embora tenha sido mais curto mesmo. Aí choveu no final do bis e ninguém nem teve ânimo de pedir para voltar.

Eu estava mais longe do palco. Mesma pista, só que mais espremida e com bem menos visibilidade. Acho que a única coisa que dava para ver no palco era aquele brilho do branco da jaqueta dos dentes do Jon. Nunca passei um show tão à base de telão como esse.

E o som estava horrível. Realmente. Eu supero a falta de Richie Sambora (o guitarrista novo faz todos os solos, embora não exista mais aquela reação geeeente, o Richie arrasando!) e do Tico Torres (acho que só mostraram o coitado do substituto no telão uma vez), mas seria bom ter conseguido ouvir os instrumentos e os vocais.

Tinha muita gente, e estava duro de uma delas empolgar. Nem “Keep the faith” estava resolvendo. Lembra que eu falei sobre show ser ritual? A colaboração das pessoas faz muita diferença.

Agora deixa eu confessar que minha colaboração com as outras pessoas foi horrível. Eu comecei em modo semi-vaca, avançando o que deu pela pista. Sim, eu estava ainda mais longe quando o Nickelback tocou. Eu saí do meu gol e cheguei mais ou menos no meio-campo.

Aí veio a vaquice total. Assim, mais ou menos. Eu só percebi que teve vaquice porque a minha irmã me avisou que a menina atrás de mim (que conseguia ser ainda mais baixinha que eu) estava puta comigo porque meu cabelo batia nela quando eu estava pulando.

Sim, eu pulo.

E não, eu nem tinha reparado porque meu cabelo não tem terminações nervosas. Quando eu fiquei sabendo (via Leda), a menina já estava tentando retaliar apoiando o cotovelo ou sei lá nas minhas costas. Ela não batia palmas, não dançava e não fazia nada porque estava putíssima comigo. Tudo o que ela queria fazer no show era empurrar as minhas costas.

Eu poderia ter pedido desculpas, mas a essa altura eu estava achando a menina igualmente vaca. O lugar estava apertado mesmo, eu não tinha como ir pra mais longe dela sem assediar quem estivesse na minha frente e ela podia ter me dado o toque sem ter entrado em modo passivo-agressivo.

Eu já estava fazendo todo o esforço de curtir um show com som ruim e fãs apáticos. Eu posso curtir um show com som ruim, fãs apáticos e menina chata me empurrando.

Eu vou em shows de boybands.

Eu tenho prática.

Eu não tenho nenhum ingresso comprado neste momento.

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